ADORNO

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quarta-feira, 14 de novembro de 2018

A HEGEMONIA DA PEQUENA POLÍTICA




Intertexto com Carlos Nelson Coutinho

Em CADERNOS DO CÁRCERE – Gramsci, a grande política compreende as questões ligadas a fundação de novos Estados, a luta pela destruição, pela defesa, pela conservação de determinadas estruturas orgânicas econômico sociais. A pequena política compreende as questões parciais cotidianas que se apresentam no interior de uma estrutura já estabelecida em decorrência de lutas pela predominância entre diversas frações de uma mesma classe política (política do dia a dia, política parlamentar, de corredor, de intrigas). Portanto, é grande política tentar excluir a grande política do âmbito interno da vida real e reduzir tudo a pequena política.
É precisamente assim através da exclusão da grande política que o neoliberalismo se estabelece enquanto teoria e prática e leva a um pensamento hegemônico. Uma relação de hegemonia é estabelecida quando um conjunto de crença e valores se enraíza no senso comum, numa concepção de mundo que Gramsci definiu como “bizarra e heteróclita”, com frequência contraditória que orienta – muitas vezes sem plena consciência – o pensamento e a ação de grandes massas de homens e mulheres. Ora, podemos constatar que predominam, hoje, no senso comum, determinados valores que asseguram a reprodução do capitalismo, ainda que não o defendam diretamente. Refiro-me, em particular ao individualismo (Tão emblematicamente expresso na “Lei de Gerson”, ou seja, a que nos revela obter vantagem em tudo), ao privatismo (A convicção que o Estado é um mau gestor e que tudo se deve deixar ao jogo do livre mercado), a naturalização das relações sociais (o capitalismo pode até ter seus lados ruins, mas corresponde a natureza humana), etc.
Cabe lembrar que hegemonia é consenso e não coerção. Como Gramsci observa, existe o consenso ativo e o consenso passivo. A hegemonia da pequena política se baseia precisamente no consenso passivo. Esse tipo de consenso não se manifesta pela auto-organização, pela participação ativa das massas por meio de partidos ou outros organismos da sociedade, mas simplesmente pela aceitação resignada do existente como algo natural. Quantas vezes ouvimos que políticos são todos iguais? Essa corrente de pensamento das elites e não como ação das maiorias foi teorizada por grandes expoentes da teoria política do século XX, como Sartori entre outros. Para eles a política é sempre ação de minorias, de elites. Alguns como Schumpeter reduz a democracia ao processo de seleção das elites por meio de eleições periódicas; mas, ao mesmo tempo, também afirma que o povo não sabe combinar interesse e razão, também contribuem para a hegemonia dessa pequena política aqueles que difundem que vivemos o fim das ideologias (exemplo a escola sem partido), que as diferenças entre esquerda e direita desapareceram.
Uma versão sofistica do pós-modernismo, defende a ideia de que a era das grandes narrativas morreu, e, no lugar de um ponto de vista totalizante e universal, devemos nos preocupar com as diferenças, com as identidades, com a defesa do multiculturalismo, etc. Essa fragmentação das lutas em setores – que separadas de uma visão do todo, uma visão universal, não põem em questão o domínio do capital, e podem, assim por ele ser assimiladas – contribuindo para o fortalecimento da pequena política.




A VIOLÊNCIA DA PAZ



Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.
Bertold Brecht
Todo medo que adquirimos da violência, surge da violência dos homens em submeter outros homens e da sua arrogância em transformar a natureza para satisfazer seus interesses de poder. A violência sempre esteve e está à espreita.
Sempre que pensamos em não violência pensamos em Gandhi, que é admirado mundialmente, poucos sabem que Gandhi conclamou seus nacionalistas a lutar ao lado da Grã-Bretanha com a condição de concessão a independência da Índia, assim como é difícil imaginar Gandhi pedir a participação dos nacionalistas na repressão de uma revolta como a do povo Zulu cruelmente oprimido pelo colonialismo. Em junho de 1942 manifesta sua simpatia e admiração pela luta heroica do povo chinês em defender a liberdade e integridade de seu País, numa declaração em carta dirigida a Chiang-Kai-Chek aliado do Partido Comunista Chinês, assim como se expressa simpaticamente ao povo soviético dirigido ao grande homem Joseph Stalin pelas lutas e conquistas.
Outro pacifista mundialmente conhecido é o Dalai Lama, frequentemente defensor da revolta contra o Tibete, municiando e municiado das armas americanas e como recompensa recebia homenagens do governo americano, enquanto Martin Luther King era assassinado por combater a guerra por essas mesmas razões.
Pasmem, tanto Dalai Lama e Barack Obama recebem o prêmio Nobel da paz, sabendo-se que no governo Obama foi onde o mundo pode presenciar a maior interferência militar no mundo, inclusive promoveu e encorajou ao golpe de estado em Honduras.
Mas o Dalai Lama não é conhecido no mundo inteiro como o Nobel da paz da não violência?
Tendo fomentado a revolta armada no Tibete, com recursos americanos, fracassada pela falta de apoio do povo tibetano não era de se admirar que ele e Obama se encontrassem. Estava na lógica esse encontro dos dois Premio Nobel da mentira por suas afinidades e representatividade.
O desejo de paz sempre está associada a religião, mas os textos sagrados de milhares de anos estão encharcados de sangue, nenhuma religião é inocente, na sua singela existência está a cruz da violência.
"A violência está nas origens da sociedade, ou como diria Durkheim no sagrado social, mais que na religião em si”.
Na atualidade de momentos efêmeros, buscamos a subjetividade como abrigo e fugimos daquilo que de fato acontece, para estarmos criticamente distantes.
Tentar compreender ou explicar algo, parte da leitura de cada um, não pode ser absoluta pois senão exclui outras possibilidades de compreensão do todo, capaz de favorecer a superação de um tipo de violência, a imposição pode fundamentar outros tipos de violência, além de ser propriamente um tipo de violência.
Somente através da verdade sem medo, da objetividade, da concretude, tolerância e da admissão da pluralidade de interpretações poderemos romper a metafísica da violência.
 

VOTAR OU METER A MÃO NO PODER?



Ouço e leio que o PT perdeu as eleições para Bolsonaro pelas fake News nas redes sociais, tendo investido na propaganda virtual. Nessa sedução do poder a “esquerda” confunde política real com política virtual.
Passada as eleições já se pensa em manter as migalhas dadas pelos governos anteriores, formando-se uma “resistência” a favor das “conquistas”, pelas condições de miserabilidade herdadas.
Nossa esquerda esquece-se de que a luta não se faz por espaço no planalto e no congresso, mas sim nas ruas, onde estão as necessidades e realidades do trabalhador, que são objeto de ataques frequentes da democracia burguesa. A esquerda tem que criar programas e projetos de lei que atendam às necessidades da sociedade antes de tudo, se é que pretende ainda continuar fazendo política dentro das regras da burguesia.
A questão aqui colocada é justificada diante da fome, desemprego, falta de investimento na educação, mídia tendenciosa e manipuladora, a impunidade dos representantes políticos e empresários, enquanto as lutas populares diminuem.
Nossos avanços dentro das regras do Estado se satisfazem com manifestações, abaixo assinados, discursos inflamados de vaidosas lideranças, festas e beijinhos das gatinhas borralheiras em seus sapatinhos de cristal.
Não existe revolução espontânea. Precisa do engajamento de muita gente, como nos mostra a história. Isso só será possível novamente quando a esquerda for de fato contra o capital em vez de dançar sob as regras do Estado.
É preciso que a esquerda, em vez de dizer aos trabalhadores: “As coisas só vão melhorar quando votarem em nós”, lhes digam: “As coisas só vão melhorar quando vocês meterem as mãos no poder”. (Francisco M. Rodrigues, 2005)
            Com certeza não é do voto que depende o trabalhador para melhorar suas condições de vida.
Se faz necessário transpor a fase do denuncismo por si só, que só faz reclamar, incapaz de abandonar as velhas formas e o pragmatismo do conteúdo. É pela competência que os militantes e as lideranças poderão enfrentar a velha e permanente ideologia do capital. É a preparação, a formação e as experiências que os habilitará a luta.
É um erro subestimar a ameaça que representam os “órgãos de classe” travestidos de esquerda, sobretudo num momento como o atual, de contradição e exigência de se posicionar e não se deixar ludibriar pelo singelo, pela caricatura de lideranças que pregam a democracia burguesa e querem os trabalhadores de joelhos. Festas de resistência? A música é a mesma, a história é outra.
Todo civismo tem como sustentação na “democracia” o perdão. As trocas de generosidades levam a esquerda e a direita a capitular para demonstrar ao trabalhador quem é superior nas suas mesquinhas vinganças.  
Os governos tanto de um lado quanto de outro são os criadores de mártires que se perdoam. Generais da tortura se tornam humanistas, juízes são bondosos políticos que culpam e inocentam em nome da paz social, “representantes” dos trabalhadores se corrompem e são venerados. Ai está como se ameniza o fascismo.
Aos homens de esquerda que tem dúvidas em ser de fato de esquerda, é preciso lembrar que é necessário recusar quaisquer esmolas da burguesia, porque o mundo não pertence a ninguém, senão isso, precisamos demonstrar que não perdoamos o extermínio, pela fome, pelas doenças, pela falta de humanidade.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

O ESPETÁCULO DA VIDA



O que se pode perceber no mundo contemporâneo é uma velha prática renovada a partir da reconceitualização dos conceitos. Em que uma classe se divide em duas: classe burguesa e classe trabalhadora, que essas duas classes dão origem a outras duas: a pequeno burguesa representada por aqueles que tem os desejos de um dia ser burguês e a pequeno burguesa com consciência social representada pelos idealistas, com os quais o materialismo dialético pode e se relaciona, em meio aos contrários que se opõem a materialidade: os metafísicistas.
O materialismo dialético e a metafisicidade demarcaram seu território e seus argumentos são diametralmente opostos, sendo responsáveis no campo ideológico pela aguda e complexa luta de classes no mundo inteiro, convivendo com uma força maior a do metaficismo, que no campo do aristotelismo se caracteriza pela investigação das realidades que transcendem a experiência sensível, para fornecer fundamento a todas as ciências particulares, por meio da reflexão a respeito da natureza do ser; filosofia primeira, outra pelo kantismo no estudo das formas ou leis constitutivas da razão, fundamento de toda especulação a respeito de realidades suprassensíveis (a totalidade cósmica, Deus ou a alma humana), servindo como fonte de princípios gerais para o conhecimento empírico.
Na sociedade do espetáculo editada por Guy Debord a sociedade moderna é vista em dois estados, num momento unida, noutro dividida. O espetáculo por ela vivida edifica sua unidade sobre o dilaceramento. As suas contradições, quando surgem do espetáculo na qual está inserida, é contradita pela inversão do seu sentido; de modo que sua divisão exposta é unitária, enquanto a unidade exposta está dividida.
A luta pelo poder se desenrola num universo de contradições, pela sustentação da subjetividade de grande parte da classe trabalhadora principalmente os pequenos burgueses, que moldados pela moral, cultura burguesa e sedução do capital, aspiram as posições e sonhos burgueses de acumulação, servindo de base de sustentação das duas classes, podendo ser o lúmpen, o homem morador de rua, favelado ou não, pois os que o definem não é sua condição econômica, mas seu pensamento.
Sabemos que todas as batalhas historicamente contadas se materializam em falsas lutas entre rivais, unidos a sedução do poder, que se reconhecem entre si como opostas dentro de um mesmo sistema buscando sua definição dentro desse sistema.
O sistema capitalista é uma unidade, que enquanto unidade está dividida no seu interior, coloca na vitrine a cobiça e oferece aos socialistas seus modelos de revolução. A nós cabe gozar de uma vida de gozo reprimido, nossos conflitos, contradições são resultantes de uma insatisfação que se tornou mercadoria.
“As imagens que se destacaram de cada aspecto da vida fundem-se num fluxo comum, no qual a unidade dessa mesma vida já não pode ser restabelecida. A realidade considerada parcialmente apresenta-se em sua própria unidade geral como pseudomundo à parte, objeto de mera contemplação” (DEBORD, 1997: 13).
Os sujeitos sociais caricaturados são espectadores da sua própria miséria, de sua própria organização social, numa inversão concreta do viver, num movimento sinoidal autônomo de um morto, onde quem manda é a mercadoria com uma lógica própria. O homem é uma coisa e a coisa ganha vida.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

O ESPETÁCULO DA ESQUERDA



Há muitos desapontados entre os que elegeram LULA para presidente. Sou um deles. Sei que fazer política sob as regras do capitalismo é ter que fazer concessões, lidar com hienas, correndo o risco de ser seduzido pelo capital, mesmo que os sentimentos de esquerda continuem a palpitar no peito.
As evidencias ai estão, mesmo condenado politicamente, ele continua prestigiado dentro e fora do país. Porque? Não por ter enfrentado os donos dos meios de produção, pelo contrário, não por ter levado o trabalhador ao poder, pelo contrário.
Entendo que ser de esquerda sob as regras do capitalismo é contraditório, isso dá nisso, depois naquilo. Cada época tem suas exigências. Antigamente a esquerda tinha uma identidade oposta ao capitalismo, se fosse necessário pegava-se nas armas. Hoje tudo é um grande espetáculo, aplaudimos quem faz guerra de guerrilhas, que faz resistência, tudo no sofá de casa. Atualmente a esquerda se acovardou, reafirma a falência de seus mitos e heróis e capitula com o capitalismo.
Temos que aceitar os discursos de quem passeou pelos bastidores do palácio, que conheceu a miséria política e as contradições dessa velha de vestido novo que é nossa esquerda, pois o LULA deve ter muito a contar, não sobre o palácio, mas sobre essa esquerda, para sabermos de seu fracasso e como “marxistas” inspiraram tantas ações contra- revolucionárias.
Tudo de forma tão digna e sem perder o status e o carisma, de um condenado político admirado por muitos trabalhadores, isso é a coisa fantástica da esquerda brasileira, descobrir no poder que atos de direita podem também ser atos de esquerda.
Observando o cenário atual, me parece que o espetáculo apresentado pelos políticos no governo LULA, produziram uma catarse em muitos, pois eles discursam ainda como esquerda, como num teatro desejam muita merda uns aos outros e os eleitores exigem cada vez mais.

O PRÍNCIPE É BRASILEIRO



A onda pragmática dos novos tempos não nos permite enxergar, as barbaridades que ocorrem com nossos vizinhos, Venezuela, Nicarágua, Costa Rica, ou ainda mais distante, Líbano, Síria, Angola, Moçambique e a falta de humanidade crescente. Deus é brasileiro, somo um país de bons sentimentos. Não é estranho que nossos sentimentos sejam tão passageiros?
Não é estranho que nossos políticos afirmem que fizeram tantas coisas pelo bem do país, dando a impressão de que muito foi feito e há muito por fazer, que por isso não é possível perceber?
Talvez eu esteja equivocado. Possivelmente, a ditadura, José Sarney, Fernando Collor de Melo, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Ignácio Lula da Silva, Dilma Roussef e nossos parlamentares que completam bodas de ouro no governo por conta da ignorância do eleitor sofram em silêncio, com as desumanidades praticadas aqui e acolá, só não se manifestaram ou se manifestam porque não tem tempo.
Só vejo que: ou eles estão convencidos de que a humanidade não tem mais solução e que todos serão julgados por Deus e punidos, então nada é necessário fazer, ou eles querem incutir 518 anos de mentiras para justificar tanto desprezo pelos seus pares.
Tentemos entender porque os mesmos nomes de 30 anos ainda se candidatam e são eleitos, porque a sociedade os legitima?
Toda essa brutalidade só tem equivalente na hipocrisia de um povo e dos nossos homens públicos. Essa “democracia” que mata de fome, desrespeita o ser humano, ainda é colonizado pelos ideais do imperialismo, mantemo-nos como colônia e alcoviteiros dos americanos e europeus que usam o poder econômico para seduzir, pressionar, a ingerência e a cumplicidade militar para nos manter nas rédeas do capitalismo.
Os desmandos e crimes contra o cidadão terão sua continuidade após a eleição e a esquerda capitulando sob as regras dessa “democracia”. As promessas de campanha são farsas, tanto de um lado quanto de outro, já que não há possibilidade dos trabalhadores serem donos dos meios de produção. O chauvinismo da burguesia é incurável. Moral da história: quando virem o presidente da República, o governo, deputados e senadores abraçarem criancinhas, tomar café no boteco do português da padaria, chorar pelas vítimas da repressão em qualquer ponto do mundo, desconfiem. Nada se faz sem interesse. São artistas encenando “O príncipe” de Maquiavel.


PARTIDOS, FACÇÕES OU SEITAS?




As organizações de classe vivem uma crise histórica; já não mais conseguem estabelecer um ponto de referência capaz de afirmar suas convicções de caráter revolucionário. Vivem numa apatia política que já não mais dá conta de conduzir o processo de luta de classes. Há uma profunda necessidade de se reconstruir essas convicções no seu aspecto, teórico, programático e orgânico, voltadas mais para a atualidade, devendo levar em conta a sociedade no seu aspecto cultural, econômico e social, para estabelecer uma metodologia e valores, capazes de unificar e vencer a crise, superando Marx, Engels entre outros. Por esses o caminho foi mostrado, demostrado nas relações sociais e de trabalho, com acertos, erros e capitulações ao longo da história. É necessário mudar; não interessa onde vai dar, mas sim como caminhar. Não dá mais para continuar se repetindo indefinidamente, nas mãos de lideranças arcaicas, recitantes, desqualificadas, que desejam resolver-se individualmente e não os problemas de uma classe. É preciso tentar apontar caminhos e sair do denuncismo; mesmo com contradições é preciso seguir em frente.
A Voltaire se atribuiu pai da palavra “partido”, já que a palavra “facção” dava um sentido pejorativo a organização social de grupo mesmo tendo a mesma significação, “partido” surge da sua antecessora palavra “seita”, ideia de parte, que se torna “partido”, que além de ser uma divisão é a associação de tomar parte, a “seita” saiu e se bandeou para a religião.
O “partido” institucionalizado ganhou a forma de estrutura na nossa sociedade, associação da parte: “partido” se tornou parte do todo, “facção” parte contra o todo.
Os “partidos” são uma necessidade? Se um “partido” é parte de um todo e não é capaz de governar nesse mundo de poder e sedutor do capitalismo, não seria ele então uma “facção”? Nessa contradição ganha terreno a “seita” e seus fundamentalistas, que gritam, oram, xingam, esperneiam sem ter conhecimento do momento histórico, conservadores que fomentam o caos, a anarquia em nome de uma determinada crença. Quem perde somos nós homens que desejam governar a si próprios.

O ARTISTA E O MISTÉRIO DA CLASSE



O que é inquietante nesse momento é o fato dos artistas estarem tão longe das necessidades e compreensão do trabalhador, provavelmente essa afirmativa leve a indignação de muitos dos meus companheiros de teatro e música, porém não posso fugir desse pensamento e ignorá-lo não me traria benefício algum.
Isso é um fato social, que tem haver com classe e não com o indivíduo ou grupos. O artista enquanto grupo, pode pesquisar os anseios da classe trabalhadora e criar seu espetáculo, assim como um grupo de empresários pode se unir a esse anseio também ou uma instituição burguesa. Quando isso acontece eles mudam suas prioridades. Não é desses artistas que desejo falar.
Um artista não pode ser considerado dono de meios de produção, mas seu padrão de vida é burguês e deve ser assim para não se tornar um miserável, como aqueles de onde ele extrai a matéria prima de seu trabalho, ele próprio sofre a exploração da sua força de trabalho assim como na oferta de seu produto, o que economicamente não o coloca em oposição ao trabalhador formal, assim como suas condições de vida e trabalho nada tem haver com as do trabalhador formal e isso gera conflitos nos seus sentimentos e ideias.
Como trabalhador isolado, ele trabalhador não é nada, a não ser em conjunto com outros trabalhadores organizados que ele pode ser visto como classe, como uma massa anônima de luta, executa qualquer serviço para o sucesso concreto dessa classe, já o artista não luta por meio da força, mas pelo que extrai dessa classe, que transforma em argumentos, roteiro para um espetáculo. Sua ferramenta é a pesquisa, o conhecimento, sua habilidade e suas convicções em transformar os materiais em algo lúdico. Essa “liberdade” parece ser a condição básica para sua criação.
Somente nos momentos de ataque as suas produções, no corte de apoio financeiro ele se subordina ao todo e somente o faz por necessidade não por inclinação, por isso difere da classe trabalhadora, pois não se enxerga e não se une enquanto classe.
Além dessa diferença entre o artista e a classe trabalhadora, há o fato de ele muitas vezes sem perceber se tornar um grupo arrogante, concebendo a si superioridade sobre classe trabalhadora. Para o artista não é difícil não reparar na classe trabalhadora como um companheiro de luta, ele vê esse trabalhador como um ser humano subdesenvolvido. Ele vê uma pedra bruta que deve ser cuidada e lapidada, para ser transformado em elemento artístico. Como seres de um notório saber não cooperam com a classe trabalhadora, mas são uma força de assistência social de auxílio.
A cooperação do artista com a classe trabalhadora, não está somente na exposição das suas contradições enquanto trabalhador ou nos seus conhecimentos trazidos das salas de aulas burguesas, mas em como cada um é capaz de lutar cotidianamente para se fortalecer enquanto classe.
Essa atitude deve e pode contribuir para a emancipação do trabalhador, e só pode ser feita pelo trabalhador ou através dele. O que os artistas trazem da academia burguesa não serve para avançar na luta por emancipação, muitas vezes só faz retardá-la.
Ibsen demonstra isso em o Inimigo do Povo através de seu personagem Dr. Stockmann que não é um socialista, como alguns defendem, mas sim um intelectual que está pronto a entrar em conflito com a classe trabalhadora. A base da luta da classe trabalhadora é o respeito entre uns e outros. Já o Dr. Stockmann considera uma maioria organizada como um monstro que deve ser derrubado.
Nesse espetáculo da vida, cada qual combate com as armas disponíveis, mas sempre é preciso ter claro que isso se faz unidos como classe contra aquele que nos oprime.


ENSAIO DE UM CEGO DIALÉTICO SOBRE MUDANÇAS.




Você não vê como caminhamos para a destruição? Em algum momento Lulas e Moros morrerão, o bom e o mau, o justo e o injusto desaparecerão igualmente.
Cada momento histórico, cada geração, cada vida, morre em algum momento, e em sua plenitude germinam, novas exigências, novos métodos, novas experiências. É preciso coragem para regá-las e serem enfrentadas em seu processo de desenvolvimento. O fim de cada momento está nele mesmo.
Se a vida caminhasse só para o resultado, não haveria história a ser contada, apenas uma lógica e aceitar é estar simplesmente aceitando mitos e os grandes heróis que se pavoneiam nesse palco, nos tendo como plateia desse medíocre espetáculo.
Sabemos, eu e você, bem agasalhados, petiscando e bebericando nossa cervejinha nesse buteco, tagarelando sobre socialismo, que ele socialismo caminhará em todas as suas fases, até alcançar seus próprios extremos e absurdos, até morrer conservador dando lugar a uma nova revolução.
Será possível ver que tudo se transforma todo tempo, ou olhamos tudo e nada vemos?
- Olhem lá!
As massas caminham conforme os acontecimentos, mas os acontecimentos são fruto da massa e carregam seu vírus de contradição; não é possível admitir sermos somente ferramenta cega de um “destino”.
Suas misérias, suas crenças, são suas necessidades para construir sua fé ingênua, na simplicidade de sua ignorância; no seu fanatismo cruel um tipo de pensamento puro e infantil. Meu consolo é de que em algum momento sairei dessa adolescência e minha cegueira se dissipará.

APRENDENDO A CIDADANIA



leitura política e leitura do discurso


Nunca houve melhor momento do que o atual, para quem ousa pensar e expor os pensamentos a respeito da significação da política partidária, assim como a significação crítica de exercer a cidadania. É que não existe isenção política enquanto estivermos vivos, mesmo não fazendo nada fazemos alguma coisa, não fazer nada é também uma ação política. Exercer a cidadania nos ajuda a descobrir as incertezas, os acertos e os equívocos.
Deveria haver um aprendizado frequente com essas incertezas, acertos e equívocos, para poder retificar, melhorar, repensar o pensado para rever posições, principalmente para quem já viveu as crises de um governo em crise de princípios.
Os caminhos percorridos por políticos velhacos, mas virgens no caminho do capital, que ficaram grávidos de propostas sedutoras e a elas sucumbiram, deu no que deu, um impeachment e uma prisão política injusta, os personagens dessa história deveriam ter aprendido com as armações e traições, onde estavam envolvidos quase todos os partidos principalmente o PMDB, agora MDB, “me diga com quem tu andas que te direi quem és”, mas esse aprendizado não parece atingir os burocratas da mente do partido dos trabalhadores
Deveríamos todos aprender com a experiência, de conhecer, de viver, por parte de quem se prepara para a tarefa de governar, que envolve necessariamente a arte de fazer política. Minha intenção não é escrever prescrições que devam ser seguidas, nem tenho estofo para isso, e também porque seria uma chocante contradição com tudo o que falei até agora. Pelo contrário, o que me interessa aqui, é fazer uma provocação em torno de certos pontos ou aspectos, insistindo em que há sempre algo diferente a fazer na nossa cotidianidade política, quer dela participemos como militantes, ou como observadores e, por isso, críticos também.
Assim, em nível de uma posição crítica, a que não dicotomiza o saber do senso comum do saber burocrático e oportunista de alguns petistas, mais sistemático, de maior exatidão, mas busca uma síntese dos contrários, o ato de fazer politicagem que implica ganhar a qualquer custo e se vingar ao invés de governar para o povo, mesmo que isso nos esgote como eleitores. Como massa de manobra que somos, estamos cansados de ver sempre o egoísmo, egocentrismo e a falta de comprometimento com o trabalhador.
Se, na verdade, o PT ainda está fragilizado e sem solução dos conflitos, corre o risco em sua manobra política de indicar Lula para angariar votos e lançar Haddad para presidente de dar um tiro no pé, o que é bem provável numa inocência discutível, obscura, do ex-presidente Lula, não posso ultra-passar uma fase se não consegui com relativa clareza, ter a significação exata da anterior e do momento. A grande saída não está em punir Temer, o que se tornará contraditório será se unir ao MDB, PP, novamente, mas rever os princípios de um partido que se diz de trabalhadores e de “esquerda”.
 Fazer política é uma ação inteligente, difícil, exigente, mas gratificante no sentido pessoal e econômico. Ninguém se candidata porque é bonzinho, apesar da singeleza que se dá aos fatos, até aos atos mais cruéis.


A UTOPIA EM QUESTÃO



Há algum tempo a palavra utopia e seu significado recebem uma qualificação depreciativa ao se afastar de uma fundamentação teórica. Marx e Engels num determinado momento ficaram preocupados e tentaram materializá-la, firmando suas teses a partir de uma investigação científica, para que a sociedade burguesa não transformasse a luta pelo socialismo em um objetivo utópico.
O conceito de utopia vem durante o processo histórico sofrendo mudanças; de fantasia irrealizável há um projeto de possibilidades; as utopias possíveis. Marx Engels observaram ser necessário extrair o movimento dos trabalhadores do terreno das seitas e instituições conspirativas dentro da luta política, onde concretamente se desenvolvem as contradições oriundas da sedução do capital, sindicatos, cooperativas, partidos, etc. Ou seja, deixar a ação sectária à luta com caráter de massas, com a consciência de que não existe sociedade perfeita se apoiando em certezas. Como lutar sem certezas? Todas as experiências socialistas/ comunistas, foram deturpadas, como afirmar então que revoluções socialistas foram vividas na história e alardeadas pelos utópicos de plantão se a comprovação dos fatos ficou na imaginação? A União Soviética desapareceu, devido as traições de partidos e pessoas como Kaustsky, Stalin, Kruchov, Gorbatchov, etc.
Como falar de um socialismo real? As fantasias utópicas perderam seu valor prático e toda sua justificação teórica.

Hoje a história se repetiu e se repete, um exemplo são o comportamento de siglas como Organização Socialista Internacionalista (OSI, LIBELU), Convergência Socialista ( CS), MR8, AP, etc algumas aliadas ao PT outras dentro d outros partidos, que seduzidos ou não pelo capital como todas as esquerdas se deliciam com a crítica a realidade, crítica fantástica, a utopia por si mesma, como indicativo de toda sua fraqueza. recorre-se a fantasia porque a realidade prático - concreta nega o suporte ao proclamado.
Pensar e praticar o Marxismo cada vez mais se torna necessário e oportuno como alternativa ao genocídio capitalista.

A REDE SOCIAL E SUA IMPORTÂNCIA



A individualização e a competição fomentada dentro da sociedade capitalista, por ela acirrada, provocou um fenômeno nas sociedades “civilizadas” que são as chamadas correntes de opinião. Não são mais somente as reuniões em salas fechadas ou em praça pública que unem necessariamente um conjunto de pessoas em torno de uma proposta, esses grandes arrebatamentos que tenho participado e observado, pela ética, pelo respeito humano, direitos, justiça social, etc. que colocam os cães de guardas em vigília em favor do sistema capitalista, também são os instrumentos criados para a individualização.
É fato que nas redes sociais as pessoas se empolgam, se sugestionam mutuamente, ou melhor, transmitem uns aos outros, sugestões, essas pessoas não se tocam fisicamente, não se veem ou se ouvem: estão sentados, cada um em suas casas, on line navegando em páginas atualizadas quase que instantaneamente, chega e ser poético.
Qual vínculo existe entre nós? Esse vínculo é, justamente com a simultaneidade de nossa convicção ou de nossa paixão, a consciência que cada um de nós possui de que essa ideia, ou essa vontade pode ser partilhada no mesmo momento por um grande número de outras pessoas. Basta que ela saiba disso, mesmo sem ver estas pessoas, para que seja influenciada por estas em massa, algo fascinante.
Precisamos entender que quando sofremos esse invisível contágio dom público de que fazemos parte, somos levados a explicá-lo pelo simples prestígio da “atualidade”, entendendo que nem sempre é “atualidade” aquilo que acaba de acontecer, mas aquilo que está em discussão e relevante na atualidade.




A NOITE DO BEIJO DE SOROCABA


Há 30 anos, uma portaria do juiz de menores Manuel Moralles proibiu o beijo em público em Sorocaba. Em contrapartida, cerca de cinco mil jovens reuniram-se na praça Coronel Fernando Prestes para protestar contra a ação repressora, desafiando a temível Lei de Segurança Nacional, que vigorava no período da ditadura militar.
Esta ação destacou Sorocaba em noticiários de todo o país. A iniciativa dos jovens ficou conhecida como “Noite do Beijo” e foi retratada em livro, lançado no ano passado, pelo jornalista Carlos Batistella.

Para ele, hoje, apesar dos ventos democráticos, ainda há censura e não afasta a ideia de que uma ação tão repressora, como essa do juiz, possa se repetir devido a preconceitos que estão arraigados na sociedade.


Hoje chamam de "ficar"(seja lá o que signifique tal expressão). No meu tempo era namorar. 
Primeiro a troca de olhares inebriados, fazendo o coração acelerar a mil, depois o bilhetinho acompanhado do 3x4" e a indefectível pergunta: "Quer namorar comigo?" O reforço para o apelo muitas vezes ecoava pelas madrugadas frias através das serenatas, cujo reportório traduzia a emergência de mais um apaixonado na praça. 
O primeiro encontro geralmente dava-se na pracinha. Se a amada retribuisse com um retrato seu o namoro tacitamente estava firmado. Mas isso era exceção. O comum era o suspense que fazia a pretendida (valorizar-se, não é mesmo?) o que atiçava ainda mais a paixão do pretendente. E tome mais bilhetinhos com poesias líricas e apaixonadas. 
​Rendida a pretendida, o ritual a seguir era o do primeiro contato corporal. O simples toque de mão carecia de rituais só comparáveis à posse da Rainha da Inglaterra. Após feito, as mãos entrelaçadas seria o sinal para a cidade e para o mundo que havia dois apaixonados na praça. O beijo? Demoraria ainda um certo tempo e muitas vezes o primeiro era "roubado".
Agora dramático mesmo era o fim do namoro de forma unilateral. À donzela, caso fosse desprezada, restava enxaguar as lágrimas ouvindo melosas canções na radiola ou vitrola. O contrário, ou seja, o "fora" dado no marmanjo tinha por consequência homéricos porres (se houvesse idade) e a contratação de cancioneiros para, à luz da Lua, traduzir a dor de um coração partido. Em ambos os casos, havia a devolução das fotos e das singelas cartinhas ou, se o motivo fosse traição, eram destruídas pelo fogo o que nasceu por outro: o fogo da paixão e do Amor.
Dedico essas músicas a minha primeira e eterna namorada. Aquela que um dia pelo final da década de setenta fez acelerar um coração solitário, hoje não tão jovial, mas ainda pulsante pela paixão.



AS ELEIÇÕES E SUAS INDIRETAS



Desde que as eleições diretas foram conquistadas  por uma necessidade econômica da burguesia e do patronato e exigência do mercado internacional, foi dada a permissão a essa democracia que temos, que passou a ser um problema para mim e para a sociedade leal e honesta.
Acreditam os positivistas e otimistas, que a democracia foi uma conquista, e que apesar das suas contradições é o único sistema capaz de nos trazer a paz, justiça e felicidade. Nos traz o sonho da liberdade (relativa), inclusão, igualdade de gêneros, distribuição de renda, tolerância, oportunidades, etc. Esse discurso que ouvimos como crianças desde de 1983 e tem nos embalado a vida, e que tudo é possível mudar através do voto.

          Na transição para democracia em 1985 foi presidente imposto para a transição, para ajeitar, esconder, maquiar o regime militar, um ministro da ditadura militar travestido de libertador, que veio a falecer na data da posse como Mártir mineiro, como havia sido o outro com cara de Jesus também militar, alferes para ser mais exato. Seu vice Ulisses fundador do MDB, hoje PMDB o partido mais ladrão da história desse País, que desapareceu no mar, como o mito grego. Diante dessa tragédia, se assim pode-se dizer, sobe ao poder a burguesia, aliada militar com seu representante José Sarney, uma resistência do militarismo em largar o osso e com promessas de não se manchar o golpe militar de 64 e preparar a transição.
A democracia no Brasil é cheia de mazelas, assim ela se iniciou. Na nossa 1ª Eleição direta em 1989, elegemos um caçador de marajás que se descobriu levar a vida do próprio, um “bunitão” que arrancou suspiro de muitas mamães, que hoje estão por ai hipocritamente defendendo LULA ou se ajoelhando para Bolsonaro. Ele foi destituído pelos ciumentos de plantão em grande festa popular, porque queria tudo para si, caiu, mas regressou como Senador. Pasmem: Ele não foi preso, saiu totalmente inocente e nem se cogita colocar o seu nome em pauta de investigação.

          Elegemos então em 1994, um sociólogo, que namorou com o PT (Partido do Trabalhador) e ajudou a criar o PSDB (Partido Socialista Democrático Brasileiro), um suposto partido socialista travestido de social democracia, historicamente sabemos alguns de nós, o que fez a social democracia com as organizações socialistas e com as internacionais, ficava claro que esse namoro nunca daria certo.

          Fernando Henrique Cardoso sobe ao poder e fica por 8 anos, ganha de LULA novamente em 1998,  com política de privatização, frases de efeito, que não mudou em nada a situação do trabalhador no que diz respeito a distribuição de renda, só aumentou a miséria de todos, com a falácia frequente do “tudo é direito de todos”.

          Finalmente sobe ao poder Luiz Ignácio LULA da Silva, em 2002 com o discurso “ trabalhador no poder” e depois em 2006 “vamos acabar com a fome e o analfabetismo nesse País”, um burocrata social democrata de esquerda, que em nome do trabalhador, assume uma política assistencialista que não transforma e nem leva o trabalhador ao poder, o trabalhador continua sua vidinha medíocre feliz com as esmolas de um salvador da pátria, cria muitos cordeiros e arrebanha adoradores, faz se um mito e dá tiros no próprio pé. É punido pela empáfia, com a judicialização da política e da politização da justiça, que ele próprio permitiu, aliados cruéis da falta de ética,(lembrei-me da política de café com leite, quando se alternavam no poder Minas e São Paulo, quando o trato foi descumprido ganhou o Rio Grande do Sul) talvez os traidores dele conseguissem o intento agindo eticamente, porque indícios sempre houveram, pois a classe política do País como um todo quando entra na lama, popde até não sujar a roupa toda, mas os pés não é possível limpar, não venham com a hipocrisia de que alguém é inocente, principalmente quando se recorda das alianças.
         Ora, é justamente essa liberdade de votar que me tira o sono, essas muitas contradições. Desde as diretas já, os governos eleitos, governos democráticos, em votações ditas “honestas”, são onde se pode visualizar de histórica corrupção, talvez somente aos democráticos isso é possível. Agora nos deparamos com um tal Bolsonaro, um bossal de direita, falso moralista, machista, preconceituoso, fomentador da discórdia e da tortura, na disputa de igual para igual com os neo - liberalistas e nossa esquerda festiva. Quando votar se pergunte: Será que alguém vai mudar alguma coisa, em eleições de cartas marcadas.
         Houve um tempo que a esquerda chamava a ONU de instrumento representativo do patronato e da burguesia, hoje se apoiam em suas decisões e na sua postura no que diz respeito ao LULA, elogiam a mídia americana, etc. Acorda Zé Ninguém! As eleições pertencem à burguesia, ela conduz os acontecimentos, assegura o poder, depois festeja com os trabalhadores.
Em que lugar do mundo um País se livrou da exploração, da miséria, da fome através das eleições? Somente indo as urnas para dizer não as eleições digitando 00.


A ESQUERDA VAI AS URNAS


Ao analisarmos a política atual, observamos um vacilo na resposta marxista ao reformismo que vem atrasando e destruindo os ideais de luta da classe trabalhadora.
Levantamos bandeiras de forma grosseira, com citações e brados revolucionários como uma seita e exercendo um oportunismo rasteiro, que na prática nos leva sempre ao reformismo, como está presente nos partidos de esquerda enganando militantes dedicados. Esterilidade senil na ideologia, reformismo “democrático-popular” na política, espírito de seita na organização.
Isso se deve a esquerda não ter claro as condições propícias para uma transformação social, acabando por deformar o marxismo, isso vem se construindo a décadas, hoje continuar com essa prática em vista das capitulações observadas nas alianças com representantes do capital é imbecilidade.
Em vez de levar os ideais do trabalhador ao poder como amadurecimento das condições sociais econômicas para uma grande revolução dos oprimidos, os “socialistas atuais” passaram a concebê-la dentro de um quadro de uma transformação política, aproveitando situações de crises e de fragilidade do poder. O socialismo é uma questão social, que deve ser entendida em uma perspectiva a longo prazo; mas passou a ser uma questão de mera política. Basta um partido ousado, ávido de propostas oposicionistas, ligado às massas, para vencer uma eleição e assumir o poder.
Isso historicamente é desmentido, se não estarem reunidas as condições sócio econômicas para uma transformação sempre acabarão no reformismo e a coragem produzida na oratória acaba em oportunismo.
Uma política socialista, autenticamente marxista leninista, não pode transigir com fantasias de falsos líderes que se dizem socialistas, tem que tomar conhecimento do momento da luta, para, inserindo-se nela, conseguir acumular forças revolucionárias dia a dia.
Cabe ainda outras questões, os socialistas devem se aprimorar na concepção tática de luta, as manobras táticas devem caminhar com princípios, sem uma perspectiva marxista é impossível uma tática transformadora.
Continuar hoje com essa crença partidária, sob regras da burguesia é manter a desejada transformação socialista aprisionada por mais outras tantas décadas.
A presentar as massas uma alternativa de sistema é aumentar todos os dias o desprezo das massas pelo sistema, e buscar outros valores e tornar mais fundo o antagonismo que nos opõe.
A luta dos desesperados impulsivos só revela um atraso político que nada tem de socialismo.


A ASCENSÃO DO FASCISMO NO BRASIL




A ascensão do fascismo, pode ser explicada através de um olhar para esses 34 anos de “democracia” e eleições diretas, onde a corrupção, o enfraquecimento das instituições, o crescimento da esquerda reformista e o sucateamento do país impediu seu desenvolvimento.
Como oposição ao socialismo, os ruralistas se organizaram, cresceram a partir da deformação desse socialismo, da sua fragilidade e esperteza frente aos interesses da sociedade, por isso cresceu o fascismo com o apoio das autoridades e da burguesia moralista.
Com o crescimento do agronegócio e a sedução da pequena burguesia de que agro é tudo, agro é pop, os latifundiários ruralistas oportunamente viram a importância de criar um exército poderoso, se aliaram ao poder das armas, contra organizações de trabalhadores e poder avançar sobre as terras indígenas.
O crescimento do fascismo ainda mantém seus traços originais, em organização e propostas, fomentar uma armada ofensiva com o apoio da pequena burguesia que sonha em ser burguesia que tem muito mais fé na ação armada direta do que na autoridade do Estado e eficácia do parlamento
Nas regiões agrícolas e da pecuária esse fascismo próximo de se eleger como classe dominante, com o suporte financeiro dos capitalistas e proteção das autoridades civis e militares, já estão se compondo com a conquista de 73 cadeiras no congresso alcançando um poder sem limites.
Uma grande ofensiva se forma contra os direitos dos trabalhadores e da sociedade. Em 2019 vai ser possível ver direitos serem esmagados e a população comprar cabrestos nos shoppings da vida e postar com alegria no wathsap.
As infantilidades postadas como fake News, as postagens adolescentes fúteis, vão sentir uma violência generalizada que terá seu lado positivo, vai fazer crescer aqueles que brincam de socialismo. Talvez com isso haja um avanço para as forças socialistas, levando-as a um compromisso sério com os trabalhadores e miseráveis, já que até o momento o compromisso demagógico só fez chegarmos a atual situação de descrédito.
A ascensão do fascismo foi permitida pela incompetência política do neo-liberalismo e da esquerda festiva, pois não contribuíram para uma visão de classe do trabalhador que agora lhes nega apoio.
A crise política do centro e da esquerda, nada mais é que esse compromisso das tendências pré existentes. Essa crise ainda vai manter essa falta de compromisso e divisão entre a oposição, já vista na isenção de apoio ao Haddad para o segundo turno.
Essa pausa nas hostilidades entre as esquerdas, por conta de interesses que não são do trabalhador, só perdurará até a eleição do coiso, ai timidamente a esquerda vai tomar consciência da importância do entendimento da luta de classes e os meios necessários para derrotar os arrogantes capitalistas.


sexta-feira, 21 de setembro de 2018

O SOCIALISMO PEQUENO BURGUÊS REFORMISTA


Numa necessidade de abrir mercado, a burguesia internacional exigiu que o Brasil se modernizasse, econômica e politicamente, nascia um processo de abertura política que culminou nas diretas.
As diretas tiveram um período de ajuste, que foi preparar uma eleição direta sem revanchismo por parte de quem quer que fosse o eleito.
A esquerda representada por uma corrente vacilante, cheia de contradições, sem estratégia, nem táticas coerentes, não foi capaz naquele momento de enfrentar a social democracia e responder as tarefas da construção de um processo revolucionário.
O PT escondeu sua confusão ideológica, sua vacilação política sob uma leitura indiscutível do marxismo, começou a crescer, ao bandear-se para social democracia e adotar uma oratória não sobre o que devia se dizer, mas sobre o que era agradável ao povo ouvir, atinge o mais alto escalão onde pode habitar um partido, chegando no topo por dezesseis anos, o que lhe restava? Cair é óbvio, tudo que sobe um dia desce. Sua experiência de poder, fez perder o poder de atração sobre grande parte do trabalhador.
A vitória do golpe que gerou tumulto, combates desesperados e caóticos da militância, provou a incapacidade dessa nova corrente marxista-leninista reformista em justificar seus desmandos, que agora só podem voltar a ter significado se expuserem radicalmente suas contradições e seus interesses de classe, onde se acumulam os sintomas da sua degeneração do socialismo e de surgimento do reformismo socialista.
Hoje fica claro, que a situação confusa desse período eleitoral, que culminou na polarização da ultradireita e reformistas, anunciando a falência da política pequeno burguesa e da burguesa, provando não haver lugar intermediário entre a ultradireita e o verdadeiro socialismo.
A grande lição a tirar da frágil esquerda “marxista-leninista reformista” é a necessidade de romper uma vez por todas com os trabalhadores enquanto classe, e vestir o véu do “populismo democrático”, patrióticos e pacíficos com discurso pequeno burguês teimando em manipular os interesses do proletariado. Essa esquerda pequeno burguesa de consciência social está comprometida com uma classe dominante só podendo reproduzir o reformismo. O que a classe trabalhadora precisa é uma política para si própria.
Não há alternativa nenhuma entre aqueles que se dizem socialistas marxistas. O pensamento burguês está presente nas ações sobre o refluxo das ideias marxistas, temos agora uma variedade de pensamentos obscuros, desesperados, nada coerente.
Essa diluição das ideias marxistas reforçam as ações reformistas, que no poder negam a luta de classes, criam pactos entre o proletariado e o patronato, entre Lulas e Malufs, entre reação e revolução.
O capitalismo é criativo, pois dominam a mídia, o trabalho, a sociedade, no plano da cultura, política e ideias produzindo ainda aberrações. As vezes ele treme quando percebe uma possibilidade de revolta, do fim da propriedade privada, das religiões, da família, da tradição.
A luta por um mundo novo, igualitário, com distribuição de renda, respeito as diferenças é uma exigência desse século, que somente os excluídos podem levar a cabo é a única alternativa para a humanidade.

SIDNEY NUNES

terça-feira, 17 de julho de 2018

DESEJO SER DONO DE MIM MESMO.



Como é possível defender a multiplicidade cultural e, ao mesmo tempo, a ideia de que existe apenas uma estética, válida para todos? Seria o mesmo que defender a democracia e, ao mesmo tempo, a ditadura. (A estética do oprimido - Augusto Boal)
Não tenho me manifestado muito nas redes sociais, primeiro pelos dias repletos de atividades de uma vida para cuidar, segundo pela preguiça de me manifestar e saber que nada que eu faça mudará radicalmente o curso da história. De qualquer maneira é sempre bom dividir pensamentos com aqueles que pensam. Fiquei incomodado com a atitude da Justiça Federal, que em caráter liminar no que diz respeito a liberdade de amar, agrediu a comunidade LGBT, considerando doença a livre escolha de cada um. Não é a primeira vez que o judiciário ataca o prazer e o amor entre as pessoas. Na década de 80, houve uma agressão parecida contra o amor: “A noite do beijo de Sorocaba”, quando um juiz proibiu o beijo em praça pública, principalmente aquele definido por ele como “beijo ventosa” – beijo língua a língua, barulhento e que ao final, faz o som de um chupão.
Companheiros segundo pesquisa da Associação Internacional LGBT, 73 países consideram a homossexualidade como crime e em 13 deles a punição pode ser a morte. Amar é algo saudável, pelo menos penso assim, a doença a ser tratada por psicólogos e psiquiatras está naqueles que cometem atrocidades contra a liberdade em nome de um falso moralismo. Se a masculinidade lhe basta e tudo provêm, parabéns, só deixem os outros com suas liberdades de escolha. A negação as mudanças conquistadas é negar um futuro saudável. Porque ensinar religião pode e a sexualidade não nas escolas? Professores não querem e não são preparados para falar, de pênis, buceta, cu, doenças sexualmente transmissíveis, valores do corpo, a mulher objeto etc. Aliás para que serve uma mulher ao homem depois do sexo? Assim a escola vai ajudando a fomentar o ódio, a doença e a decadência social. Tudo nos vem pronto, e nós dizemos amém.
Um corpo só existe em relação com os outros, só somos quando nos tornamos corpo, do qual somos donos e não somos, existe uma relação de corresponsabilidade entre os corpos, sejam eles humanos. Nossas liberdades pessoais são proporcionais a liberdade daqueles que estabelecemos nossas relações, se há corpos oprimidos ao meu redor, minha liberdade estará de alguma forma comprometida, não há como ser um corpo saudável entre enfermos.

SIDNEY NUNES.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

FELIZ IDADE


Fui infectado alguns anos atrás, para ser mais exato na década de 90, por essa arte chamada filosofia. Acho que foi quando ganhei das mãos da professora Marilena Chaui, com dedicatória e tudo seu livro “ Introdução a filosofia”. Dali para cá, definho rapidamente, com a certeza de que se o inferno existe é aqui! Desculpem a frase feita, mas foi a única que me veio à mente nessa hora.
Sou movido a utopia, tenho boa saúde, nunca entrei em um hospital, não tenho amigos de fato, todos foram efêmeros, assim como meus cinco casamentos e 3 filhos, logo, não amo e nem me sinto amado.
Difícil aceitar, mas a vida chegou num momento de transição, onde nada é mais recuperável; com alguns cabelos brancos, musculatura com princípios de flacidez, um corpo já não tão ágil, estou incapaz de dar porradas, quanto mais receber; aproxima-se o momento de ter como contato principal na agenda o telefone do SAMU e nunca esquecer de levar na pochete um item imprescindível: A fralda geriátrica. Tenho a certeza de que não verei o mundo que quero e pelo qual lutei e luto.
Não consegui ser feliz, talvez porque ainda procuro, se procuro não encontrei. Escreveu uma vez Cecília Meirelles:

“ És precária e veloz, felicidade,
custas a vir e, quando vens, não te demoras.
Foste tu que ensinaste aos homens que havia tempo,
e, para te medir, se inventaram as horas.”

Será? Tentei...tentei...tentei...tento de novo...
Já bebi muita Coca-Cola, muitas vezes bêbado, rezei, chorei, rezei, cherei, fumei, comi cogumelos e até tentei consultar Carlos Castanheda, fiz simpatias para emagrecer e ficar jovem para sempre.
A felicidade não jorrou, não alimentou, não encheu os pulmões, ninguém escutou, continuo enrugando o tempo e com uma baita sensação de infelicidade.
Nem meus heróis, nem Cazuza foram felizes, muito menos Cássia Eller, talvez se eu ainda fosse uma menininha em meias ¾ quem sabe? Quando acordo sorridente e comunicativo, alguém confunde com felicidade e diz: Que foi? Viu um passarinho verde? Não vai ser sempre assim...
Me recuso aos falaciosos argumentos do mundo capitalista sobre os modelos de felicidade baseados no consumismo ou em um mundo perfeito proposto pelo socialismo. Não posso acreditar em felicidade a partir do que possuo, isso é prazer, muito menos em uma ideia de felicidade baseada em sofrimento, lutas e conquistas. Nunca fui, não sou e nem serei eventualmente feliz. Não acredito muito nisso, pois levo sempre em conta o outro, é como ser ateu, negar a existência de algo é admitir que algo existe, vou sair desse embrólio dizendo que estou com Wave de Tom Jobim:
“È impossível ser feliz sozinho, o resto é mar...”
Agora que estou deixando a adolescência posso confessar, que não guardei ou cultivei felicidade, por isso quando encontrar não saberei o que é, também não a confundirei com prazer, euforia, bem-estar como fazem muitos. O certo é que faço como Frank no consultório do psicanalista:
“- Eu não quero fugir da realidade doutor. Eu só quero que ela me deixa em paz um pouquinho...”


A FORMIGA E O ARTISTA


A produção artística na minha opinião continua cheia de contradições, acredito que perdurará assim se desenvolvendo pelo mundo afora, entre conflitos, soluções efêmeras, num looping histórico.
As representações continuarão pobres, abstratas, esquemáticas, em face ao que a realidade produz, mas a criação artística traz em si o imprescindível nada que muda tudo.
Os grupos sempre continuam dando a impressão de que algo novo e único, com traço original está gestando, contagiando a todos, assim são os artistas.
Ao artista nada é preciso, criam-se ideias que se trocam, palavras que vão para além e que dizem que a vida social é mais que um hábito adquirido e transmissível. Esse artista está mais para a cidade, como a formiga está para o formigueiro, ao passo que a formiga é objetiva, o artista reinventa, varia a forma do mundo em que vive conforme sua necessidade histórica, cultural e econômica.

COMUNICADO DE UM CEGO À AQUELES QUE VÊEM.


Há um limite para tudo e todos, que depois de atingido, só lhe resta a queda.

Para que possamos alcançar um estado de liberdade, é necessário que tenhamos a consciência do fim de um determinado fenômeno histórico. Com essa consciência o homem alcança sua soberania para tirar daquilo que viveu e presenciou, um significado, a vida então passa a ser livre do conhecimento conceitual e das teias do pensamento dogmático.