Como é possível defender a
multiplicidade cultural e, ao mesmo tempo, a ideia de que existe apenas uma estética,
válida para todos? Seria o mesmo que defender a democracia e, ao mesmo tempo, a
ditadura. (A estética do oprimido - Augusto Boal)
Não tenho me manifestado muito nas redes
sociais, primeiro pelos dias repletos de atividades de uma vida para cuidar,
segundo pela preguiça de me manifestar e saber que nada que eu faça mudará
radicalmente o curso da história. De qualquer maneira é sempre bom dividir
pensamentos com aqueles que pensam. Fiquei incomodado com a atitude da Justiça
Federal, que em caráter liminar no que diz respeito a liberdade de amar, agrediu
a comunidade LGBT, considerando doença a livre escolha de cada um. Não é a
primeira vez que o judiciário ataca o prazer e o amor entre as pessoas. Na
década de 80, houve uma agressão parecida contra o amor: “A noite do beijo de
Sorocaba”, quando um juiz proibiu o beijo em praça pública, principalmente
aquele definido por ele como “beijo ventosa” – beijo língua a língua,
barulhento e que ao final, faz o som de um chupão.
Companheiros segundo pesquisa da Associação
Internacional LGBT, 73 países consideram a homossexualidade como crime e em 13
deles a punição pode ser a morte. Amar é algo saudável, pelo menos penso assim,
a doença a ser tratada por psicólogos e psiquiatras está naqueles que cometem
atrocidades contra a liberdade em nome de um falso moralismo. Se a
masculinidade lhe basta e tudo provêm, parabéns, só deixem os outros com suas
liberdades de escolha. A negação as mudanças conquistadas é negar um futuro
saudável. Porque ensinar religião pode e a sexualidade não nas escolas?
Professores não querem e não são preparados para falar, de pênis, buceta, cu,
doenças sexualmente transmissíveis, valores do corpo, a mulher objeto etc.
Aliás para que serve uma mulher ao homem depois do sexo? Assim a escola vai
ajudando a fomentar o ódio, a doença e a decadência social. Tudo nos vem
pronto, e nós dizemos amém.
Um corpo só existe em relação com os outros,
só somos quando nos tornamos corpo, do qual somos donos e não somos, existe uma
relação de corresponsabilidade entre os corpos, sejam eles humanos. Nossas
liberdades pessoais são proporcionais a liberdade daqueles que estabelecemos
nossas relações, se há corpos oprimidos ao meu redor, minha liberdade estará de
alguma forma comprometida, não há como ser um corpo saudável entre enfermos.
SIDNEY NUNES.