ADORNO

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

FAKE NEWS - UMA MENTIRINHA NÃO FAZ MAL A NINGUÉM.


Se no futuro resolverem falar e viver a verdade, o século 21 com certeza ganhará o prêmio da mentira e da reafirmação histórica dela.

Depois do termo pós-verdade, veio à tona o termo fake news, ou notícia falsa. Quando pesquisamos nossas estórias do passado, descobrimos que precisamos desconfiar até nós mesmos e quando se trata do ambiente digital a desconfiança é maior ainda.

Segundo alguns historiadores notícias falsas sempre existiram. Num texto chamado anedota no século 6 já se espalhava mentiras. O jornalista Aretino em 1942-1556 é considerado o maior difusor desse tipo de notícia principalmente sobre os cardeais da época, o que também devemos duvidar já que o título foi dado por quem se sentia difamado. Em Londres nos anos 1770 os homens parágrafos recolhiam e vendiam fofocas a editores, que publicavam reportagens sensacionalistas e difamatórias sobre figuras importantes da época.

Segundo Rosseau é raro e difícil que uma notícia seja inocente. Quando se mente é para levar vantagem, é fraude, para prejudicar é calúnia considerada a de pior espécie de mentira.
Para Emmanuel Kant aquele que mente, por mais com boas intenções que esteja ao mentir, tem de responder pelas consequências de sua mentira. Aqui fica apenas uma pergunta: quem responde pela exagerada produção de notícias falsas criadas em ambiente digital? Difícil acreditar que a verdade esteja de um lado só.
O teólogo e filósofo, Tomás de Aquino diferenciava entre três tipos de mentira: a viciosa, que visa enganar por um motivo vil mesmo; a oficiosa, que visa algum bem; e a jocosa, que visa divertir ou entreter. Essas duas últimas são, na opinião dele, pecado venial, ou seja, não muito graves, mas ainda assim moralmente erradas. Aquino diz que mentir é sempre errado, mas apenas as mentiras para fazer mal, são as consideradas pecados mortais. Aquelas mentiras criadas para divertir e para ajudar os outros são perdoáveis.
Por mais contraditório que possa parecer inicialmente, existe uma Ética, inclusive, no ato de Mentir, a denominada “Ética da Mentira”. A depender da justificativa ou motivação que se usa para fundamentar este ato, a Mentira será ou não aceita socialmente. Sua concordância ou repulsa dependerá ainda do contexto social, do ordenamento jurídico, da política, da religião, enfim, da cultura em que ela fora empregada. É passível o entendimento de que a verdade absoluta, em toda e qualquer circunstância, tornaria as relações sociais insustentáveis. Mas é preciso questionar até que ponto, em quais circunstâncias, a Mentira é legítima e necessária. A legitimidade de sua aplicação deve ser mais minuciosamente pensada quando se faz presente na política, na regência de um governo e até mesmo positivada no ordenamento jurídico.
A Moral se manifesta como a prática de uma Ética. Ética é a concepção, é princípio, que se traduz numa Moral. O princípio de não pegar o que não me pertence, por exemplo, se concretiza com a atitude de roubar ou não. Algumas pessoas consideram uma relação sócio afetiva entre pessoas do mesmo sexo imoral. Isso porque a Moral é relativa e depende do que indivíduo tem como referência de Ética e o contexto histórico o qual ele está inserido. Por fim, a Ética é sempre de uma época e de um grupo, mas tem como aspiração a tentativa de ser universal. Desta feita, para definirmos Ética devemos levar em consideração que a mesma sempre está inserida no contexto da ação, por ser uma ciência normativa que direciona as ações humanas.
Friedrich Nietzsche afirma que a grande maioria daquilo que atribuímos como verdade, só é considerada como tal, devido a uma construção social, linguística e cultural. Desse modo, concluiu que as falsas moralidades funcionam mais como prática de uma ética de mentiras do que de virtudes autênticas.
O filósofo alemão acreditava que a mentira ganha forma de verdade quando a pessoa que é enganada não possui provas ou pensamentos lógicos para refutar o que lhe foi transmitido, dessa forma, a mentira pode se prolongar durante muito tempo, sendo considerada uma verdade inquestionável. Por isso que muitos são enganados pela mentira, porque pensam que a mesma é verdade. O que é portanto a verdade? Uma multidão móvel de metáforas, metonímias e antropomorfismos; em resumo, uma soma de relações humanas que foram realçadas, transpostas e ornamentadas pela poesia e pela retórica e que, depois de um longo uso, pareceram estáveis, canônicas e obrigatórias aos olhos de um povo: as verdades são ilusões das quais se esqueceu que são, metáforas gastas que perderam a sua força sensível, moeda que perdeu sua efígie e que não é considerada mais como tal, mas apenas como metal (NIETZSCHE, 2007, p. 56).
Essa prática, tão comum na nossa sociedade, pode ser notada com clareza quando analisamos as posturas dos nossos representantes políticos, que fazem falsas promessas aos cidadãos, desviam o dinheiro público e mesmo com tantas provas evidentes ou forjadas, negam que o tenham feito. Esse costume de mentir, que foi consolidado ao longo dos anos, gera consequências gravosas. Como possuímos o hábito de mentir, acabamos não percebendo com facilidade determinadas mentiras e, por conseguinte, disseminamos esse costume por ser uma das maiores dificuldades do homem, se não a maior, perceber, atribuir um juízo de valor, sobre o que estamos acostumados a fazer ou pensar, se é correto ou errado.
Ninguém assume coisa alguma. Ninguém jamais confessa suas motivações, nada. Sempre há um bom pretexto, uma estória mirabolante a justificar qualquer coisa, por mais estranha e inverossímil que possa parecer. Inventam-se álibis, desculpas esfarrapadas e enredos dos mais diversos para escapar ou acusar. E o pior de tudo é que, na maioria das vezes, cola.

TEMPOS DE TRANSFORMAÇÃO?


Vamos lembrar dos três elementos fundamentais da sociedade que muitas vezes deixamos de considerar: O passado, o presente e o futuro. São elementos históricos que não podemos negar. O homem é o único animal capaz de transformar a natureza. Em todos os momentos da história parte de uma geração exerce uma vigilância rigorosa sobre os destinos da sociedade, luta e morre por isso. Somente atentos, com uma visão crítica sobre a vida, podemos criar as condições para nossa transformação como sociedade. As gerações procuram esquecer suas contradições, suas capitulações a cada época. Sempre com as mesmas desculpas de que foram vítimas das necessidades. Qualquer que tenha sido o grau de envolvimento de cada um, sempre evitamos o enfrentamento por medo e com isso evitamos o crescimento intelectual, político e nossa liberdade.
Sempre fomos marionetes do sistema capitalista, que explora os trabalhadores, que humilha, brutaliza, e mata o povo de fome. No tabuleiro do colonialismo fomos peões e permitimos a estruturação desse sistema cruel. As ações dos militantes somente reforçaram esse sistema, impediram as lutas, os confrontos, pela cultura de cultuar a vida e desprezar a morte por uma causa para o bem de todos.
Não há Gal. Ustra, não há polícia, não há estrutura, não há colaboradores da ditadura que se possa considerar dissociado dos crimes hediondos do capitalismo. Não há outras patentes do exército e da política que se possa sentir alheio a repressão e a barbárie da ditadura contra o povo brasileiro.
As gerações em cada época sempre tiveram consciência disso. As derrotas da esquerda e seu desmantelamento sempre aconteceram pelo medo e pela falta de clareza do que é ser socialista e comprometimento. É preciso saber sempre até onde estamos dispostos a ir.
Os comprometidos sempre foram uma minoria, se não, poderíamos estar comemorando vitórias. A nossa falta de maturidade resultou nas nossas ações, nas nossas atitudes, nos nossos compromissos com o que vivemos hoje. Essa é a razão da nossa ignorância, dos nossos desejos burgueses na atualidade. Ações, atitudes e compromissos contra a sociedade e nós mesmos. E isso, se refletiu nas urnas.
Nossas derrotas comemoramos com festas, denunciamos, denunciamos, mas não temos credibilidade perante ao trabalhador e a sociedade não nos identifica ou reconhece como uma alternativa revolucionária. Existem filhos, órfãos e viúvas, cujos pais e maridos caíram nas mãos do DOI/CODI, ou foram mortos sem solução. Ainda há luto em nosso País. Contudo não fizemos muito. Colocamos apenas as fotos nas vitrines do capital.  O nosso compromisso com o inimigo mantém-se atual.
Primeiro juntamo-nos aos partidos de esquerda pequenos burgueses que creem que transformação através do voto e do diálogo, pois assumiram o discurso burguês de que Deus é brasileiro e brasileiro é bonzinho. Bebem cerveja com a reação. Não podemos viver sem sermos moleques. Não podemos viver sem lamber botas, sem praticar o servilismo e o perdão. Não temos dignidade, personalidade e valor. Esse é o perfil da nossa esquerda liberal pequeno burguesa. Assumirmos nossas fragilidades e ignorância política significa renascer de novo. Não é a idade que conta. São os valores, a personalidade. Ser capaz de inserir-se na sociedade, ganhar seu respeito e incutir-lhe os conceitos socialistas é rejuvenescer. Ser capaz de viver as mutações e transformações e ser agente ativo dessas transformações e não simples espectador, é ser novo. Isso é avanço. Compreendendo nossos erros e decidirmos que, com o trabalho da militância, o estudo e dedicação, com o seu engajamento nas tarefas da reconstrução dos ideais poderemos caminhar para um país mais justo. Isso é a demarcação de um território que tem compromisso com o futuro. Viver para o amanhã.  É urgente primeiramente se liberdade do inimigo que está em nossa mente. Criar uma trincheira firme da liberdade. Mesmo que não sejam militantes de luta, na linha de frente que sejam administradores e pensadores revolucionários com orgulho, pois não existe revolução sem uma teoria revolucionária.

SOMENTE OS MORTOS NÃO TEM IDEOLOGIA OU NÃO TOMAM PARTIDO


Viver significa fazer escolhas todo tempo. Não há como ignorar o outro em nossa breve existência. Vivemos em sociedade, precisamos determinar como viver e nossas escolhas acabam por determinar nosso modo de vida. Viver exige todo tempo o exercício de cidadania. O oposto, a indiferença, é covardia.
Não fazer escolhas é o que nos impede de avançar como seres humanos, como sujeitos sociais, é essa ação de inercia produzida na mente social de forma proposital para que desistamos de viver. A história é a prova disso.
O que não acontece, acontece porque a sociedade deixa de exercer sua vontade, deixa de fazer, de emitir sua opinião, daí se choca com as armas, que fazem por si. Deixar de pensar no mundo, no seu país, no seu estado, no seu município, deixar seus representantes subirem ao poder, para depois só uma revolução poder tirar, são fatos determinantes na história, são a realidade com aparência fictícia da indiferença, por aqueles que não tomam partido, e amadurecem silenciosamente, dão forma a vida coletiva dos mortos políticos.
Quando uma sociedade ignora o que está a sua volta, não dá atenção a vida e o viver, acaba mentindo para si e interagindo como se tudo fosse natural. E se eu tivesse assumido uma posição? Se eu tivesse feito valer minha vontade? Eu teria mudado algo? A indiferença e o ceticismo estiveram sempre aliados, por isso nunca tomaram partido, ou se engajaram em combater os males a favor de algo com qual sonhavam. São os que hoje reclamam da falta de “sorte”, das injustiças, dos políticos só sabem roubar, buscando sempre a culpa no outro. Os que não tomam partido são entediantes, por seu choro frequente, aparentemente inocente.
Viver é militar, expressar o pensamento, tomar partido, fomentar o olhar crítico para o mundo, e, saber que não existe crítica construtiva, que toda crítica é destrutiva, para se construir o novo, isso é realidade.


A CHANTAGEM POLÍTICA


V. I. Lénine
6 de Setembro de 1917
Como base para análise sobre a chantagem sobre Lula - atualizado para 2018

Chama-se chantagem à extorsão de dinheiro sob a ameaça de revelar quaisquer fatos ou «histórias» inventadas que podem ser desagradáveis para a pessoa em causa ou sob a ameaça de lhe causar quaisquer outros aborrecimentos.
Chantagem política é a ameaça de revelar ou a revelação de «histórias» reais, mas mais frequentemente inventadas, com o objetivo de prejudicar politicamente, caluniar, impedir ou dificultar ao adversário a possibilidade de atividade política.
Os nossos burgueses e pequenos burgueses da “democracia”, desculpem-me a expressão, ou mesmo democráticos, revelaram-se heróis da chantagem política, movendo uma «campanha» de difamações, mentiras e calúnias contra os partidos e personalidades políticas que não lhes convêm. O PSL - Partido Social Liberal perseguiu de modo grosseiro, selvagem, feroz a campanha de Fernando Haddad do PT. A burguesia perseguiu de modo sujo e desonesto, tentando manchar o governo Lula, como único estadista que enfrentou a cegueira burguesa e de forma míope olhou para o trabalhador e para o povo, fortaleceu a instituição polícia federal e deu um tiro no pé, foi alvo de calúnias, de mentiras, insinuações, difamações, boatos, etc., etc.
Outros políticos também tiveram a honra de experimentar em si estes métodos de perseguição dos neo-liberais democráticos. Uns merecidamente outros nem tanto.
Quase imediatamente depois do impeachment da Presidenta Dilma Roussef são articulados os planos contra os petistas com a colaboração e empenho da imprensa burguesa e de quase toda a pequeno-burguesia. E o presidente Luiz Ignácio Lula da Silva, pode com injustiça «ouvir» de uma corte política as vozes de desaprovação, porque é o ódio furioso da burguesia que muitas vezes serve de melhor prova de justo e honesto serviço ao povo da parte daquele que é caluniado, caçado, perseguido.
Podemos ilustrar com particular clareza o carácter chantagista dos métodos caluniosos da burguesia com um exemplo jurídico. O que prova a propriedade de um imóvel? A escritura e seu registro de imóvel em cartório. O que prova uma reforma de imóvel? As alterações nesse determinado imóvel. Segundo a politização da justiça vale a intenção do crime não a presunção de inocência. Caluniadores notórios, membros desse ou daquele partido “democrata”, com Sérgio Moro na cabeça, juntamente com MDB e PSDB, pois os outros pequenos partidos de direita são pau mandados, querem com isso assustar ou expulsar da vida política o ex-presidente Lula, entrave aos interesses burgueses do agro- negócio principalmente, lançaram contra ele uma campanha por causa dos seus feitos em favor dos mais pobres e das minorias. Claro que não para levá-los ao poder, mais para incluí-los na sociedade de consumo. Toda burguesia ganhou dinheiro com ele, o que parece uma contradição se explica no medo de até onde ele poderia ir. A campanha contra ele inflamou-se. Toda a imprensa burguesa encampou para manter a sociedade sobre o cabresto.
Mas a contradição do PT foi o namoro com os partidos burgueses para composição do governo e não considerar a mais elementar e natural lei da física: Tudo que sobe um dia tem que descer. Oh! Michel Temer ajuda a derrubar Dilma e assume o poder. Ninguém pode negar a incompetência e arrogância de Dilma Roussef, condenada politicamente pelas pedaladas fiscais que lhe tomou o poder e foi inocentada pela justiça pelas mesmas pedaladas, mas já sem poder. O motivo de sua saída do poder do qual foi inocentada, não seria motivo para sua volta? Algo de justo nisso? Após isso, sem julgamento justo, sem inquérito ético, sem publicação de documentos, com base em delações de verdadeiros ladrões, sem conclusões concretas – a prisão de Lula foi decretada. Os paladinos da “democracia” nunca agiram da mesma forma com Aécio Neves, Geraldo Alkimim, contra o Presidente Temer como no caso Lula, já que contra estes existem fatos e provas concretas, palpáveis de corrupção e roubo.
Aí têm, clara como água, a chantagem política. A campanha contra pessoas nos jornais, as calúnias, as insinuações, servem nas mãos da burguesia e de celerados como Bolsonaro, de instrumento de luta política e de vingança política. Para conquistar o poder pelo poder, sem intenções de melhorar de fato a vida do povo brasileiro. Uma vez atingido o objetivo político, o «caso» contra PSDB, MDB, PP entre outros tende a «desaparecer», demonstrando desse modo a natureza suja, a vil desonestidade e o chantagismo daquele que suscitou o «caso».
Porque é claro que um não chantagista, quaisquer que fossem as mudanças políticas, não interromperia as revelações se nessas revelações ele se guiasse por motivações honestas, que um não chantagista levaria em qualquer caso as suas revelações até ao fim, até uma sentença do tribunal da 4ª vara ou STF, até ao completo esclarecimento do público, ou até à admissão aberta e franca de que do seu lado houvera erro ou mal-entendido.
O exemplo de Lula, que não é socialista e nem comunista, mostra-nos claramente a verdadeira natureza da campanha de chantagem contra o PT da parte da imprensa burguesa e pequeno-burguesa. Quando o objetivo político destes cavaleiros do capital e dos seus lacaios lhes pareceu atingido, quando os petistas tinham sido presos e suas ações expostas, os chantagistas buscam a destruição da trajetória política, desmerecer as ações positivas de Lula político e destruir o homem, já que o político está maculado. Tendo nas mãos todos os meios de revelar a verdade, a imprensa, o dinheiro, a ajuda da burguesia, tendo tudo isto nas mãos os heróis da campanha contra os petistas, os “democratas” e a “democracia” assumem o poder.
Fica claro para qualquer pessoa honesta aquilo que de imediato ficou claro para os intelectuais conscientes - toda a vida dos quais os prepara para compreender rapidamente os métodos da burguesia -, a saber: que Temer (MDB), Aécio, Alkimim, Juiz Sérgio Moro, Bolsonaro, etc...etc...etc..., são chantagistas políticos. É preciso afirmar isto, explicar isto às massas, publicar isto todos os dias, recolher documentos sobre isto para um livro, boicotar os chantagistas, etc., etc. São estes os métodos de luta contra a calúnia e a chantagem dignos de quem se arvora socialista!
Abaixo os chantagistas políticos! Desprezo e boicote para eles! Desmascaramento incansável dos seus nomes infames perante as massas!
Feliz ano velho e Feliz ano novo!

PRESENTE DE PAPAI NOEL


UM MESSIAS, FIM DO MINISTÉRIO DA CULTURA, AUMENTO DAS PASSAGENS DE ÔNIBUS, FUNAI ENTREGUE AOS RURALISTAS, ETC...

Aplausos foram dados ao discurso nacionalista e contraditório do Sr. Messias Bolsonaro, com direito a nome de Deus e nas entrelinhas a defesa das armas.
Diz-se até que o socialismo não tem mais vez no Brasil, para os desinformados ou ignorantes, nunca houve socialismo no Brasil, nem sequer um verdadeiro partido socialista, o que existe são partidos pequenos burgueses de esquerda cheios de consciência social com carimbo de esquerda. A esquerda revolucionária não tem pessoas representativas capaz de fazer frente a direita ou a extrema direita, nem dinheiro.
A esquerda revolucionária tem uma capacidade que se fosse usada no mundo, cobriria todas as desvantagens, formular uma política voltada para o povo.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

A HEGEMONIA DA PEQUENA POLÍTICA




Intertexto com Carlos Nelson Coutinho

Em CADERNOS DO CÁRCERE – Gramsci, a grande política compreende as questões ligadas a fundação de novos Estados, a luta pela destruição, pela defesa, pela conservação de determinadas estruturas orgânicas econômico sociais. A pequena política compreende as questões parciais cotidianas que se apresentam no interior de uma estrutura já estabelecida em decorrência de lutas pela predominância entre diversas frações de uma mesma classe política (política do dia a dia, política parlamentar, de corredor, de intrigas). Portanto, é grande política tentar excluir a grande política do âmbito interno da vida real e reduzir tudo a pequena política.
É precisamente assim através da exclusão da grande política que o neoliberalismo se estabelece enquanto teoria e prática e leva a um pensamento hegemônico. Uma relação de hegemonia é estabelecida quando um conjunto de crença e valores se enraíza no senso comum, numa concepção de mundo que Gramsci definiu como “bizarra e heteróclita”, com frequência contraditória que orienta – muitas vezes sem plena consciência – o pensamento e a ação de grandes massas de homens e mulheres. Ora, podemos constatar que predominam, hoje, no senso comum, determinados valores que asseguram a reprodução do capitalismo, ainda que não o defendam diretamente. Refiro-me, em particular ao individualismo (Tão emblematicamente expresso na “Lei de Gerson”, ou seja, a que nos revela obter vantagem em tudo), ao privatismo (A convicção que o Estado é um mau gestor e que tudo se deve deixar ao jogo do livre mercado), a naturalização das relações sociais (o capitalismo pode até ter seus lados ruins, mas corresponde a natureza humana), etc.
Cabe lembrar que hegemonia é consenso e não coerção. Como Gramsci observa, existe o consenso ativo e o consenso passivo. A hegemonia da pequena política se baseia precisamente no consenso passivo. Esse tipo de consenso não se manifesta pela auto-organização, pela participação ativa das massas por meio de partidos ou outros organismos da sociedade, mas simplesmente pela aceitação resignada do existente como algo natural. Quantas vezes ouvimos que políticos são todos iguais? Essa corrente de pensamento das elites e não como ação das maiorias foi teorizada por grandes expoentes da teoria política do século XX, como Sartori entre outros. Para eles a política é sempre ação de minorias, de elites. Alguns como Schumpeter reduz a democracia ao processo de seleção das elites por meio de eleições periódicas; mas, ao mesmo tempo, também afirma que o povo não sabe combinar interesse e razão, também contribuem para a hegemonia dessa pequena política aqueles que difundem que vivemos o fim das ideologias (exemplo a escola sem partido), que as diferenças entre esquerda e direita desapareceram.
Uma versão sofistica do pós-modernismo, defende a ideia de que a era das grandes narrativas morreu, e, no lugar de um ponto de vista totalizante e universal, devemos nos preocupar com as diferenças, com as identidades, com a defesa do multiculturalismo, etc. Essa fragmentação das lutas em setores – que separadas de uma visão do todo, uma visão universal, não põem em questão o domínio do capital, e podem, assim por ele ser assimiladas – contribuindo para o fortalecimento da pequena política.




A VIOLÊNCIA DA PAZ



Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.
Bertold Brecht
Todo medo que adquirimos da violência, surge da violência dos homens em submeter outros homens e da sua arrogância em transformar a natureza para satisfazer seus interesses de poder. A violência sempre esteve e está à espreita.
Sempre que pensamos em não violência pensamos em Gandhi, que é admirado mundialmente, poucos sabem que Gandhi conclamou seus nacionalistas a lutar ao lado da Grã-Bretanha com a condição de concessão a independência da Índia, assim como é difícil imaginar Gandhi pedir a participação dos nacionalistas na repressão de uma revolta como a do povo Zulu cruelmente oprimido pelo colonialismo. Em junho de 1942 manifesta sua simpatia e admiração pela luta heroica do povo chinês em defender a liberdade e integridade de seu País, numa declaração em carta dirigida a Chiang-Kai-Chek aliado do Partido Comunista Chinês, assim como se expressa simpaticamente ao povo soviético dirigido ao grande homem Joseph Stalin pelas lutas e conquistas.
Outro pacifista mundialmente conhecido é o Dalai Lama, frequentemente defensor da revolta contra o Tibete, municiando e municiado das armas americanas e como recompensa recebia homenagens do governo americano, enquanto Martin Luther King era assassinado por combater a guerra por essas mesmas razões.
Pasmem, tanto Dalai Lama e Barack Obama recebem o prêmio Nobel da paz, sabendo-se que no governo Obama foi onde o mundo pode presenciar a maior interferência militar no mundo, inclusive promoveu e encorajou ao golpe de estado em Honduras.
Mas o Dalai Lama não é conhecido no mundo inteiro como o Nobel da paz da não violência?
Tendo fomentado a revolta armada no Tibete, com recursos americanos, fracassada pela falta de apoio do povo tibetano não era de se admirar que ele e Obama se encontrassem. Estava na lógica esse encontro dos dois Premio Nobel da mentira por suas afinidades e representatividade.
O desejo de paz sempre está associada a religião, mas os textos sagrados de milhares de anos estão encharcados de sangue, nenhuma religião é inocente, na sua singela existência está a cruz da violência.
"A violência está nas origens da sociedade, ou como diria Durkheim no sagrado social, mais que na religião em si”.
Na atualidade de momentos efêmeros, buscamos a subjetividade como abrigo e fugimos daquilo que de fato acontece, para estarmos criticamente distantes.
Tentar compreender ou explicar algo, parte da leitura de cada um, não pode ser absoluta pois senão exclui outras possibilidades de compreensão do todo, capaz de favorecer a superação de um tipo de violência, a imposição pode fundamentar outros tipos de violência, além de ser propriamente um tipo de violência.
Somente através da verdade sem medo, da objetividade, da concretude, tolerância e da admissão da pluralidade de interpretações poderemos romper a metafísica da violência.