Numa necessidade de abrir
mercado, a burguesia internacional exigiu que o Brasil se modernizasse,
econômica e politicamente, nascia um processo de abertura política que culminou
nas diretas.
As diretas tiveram um
período de ajuste, que foi preparar uma eleição direta sem revanchismo por
parte de quem quer que fosse o eleito.
A esquerda representada por
uma corrente vacilante, cheia de contradições, sem estratégia, nem táticas
coerentes, não foi capaz naquele momento de enfrentar a social democracia e
responder as tarefas da construção de um processo revolucionário.
O PT escondeu sua confusão
ideológica, sua vacilação política sob uma leitura indiscutível do marxismo,
começou a crescer, ao bandear-se para social democracia e adotar uma oratória
não sobre o que devia se dizer, mas sobre o que era agradável ao povo ouvir,
atinge o mais alto escalão onde pode habitar um partido, chegando no topo por
dezesseis anos, o que lhe restava? Cair é óbvio, tudo que sobe um dia desce. Sua
experiência de poder, fez perder o poder de atração sobre grande parte do
trabalhador.
A vitória do golpe que gerou
tumulto, combates desesperados e caóticos da militância, provou a incapacidade
dessa nova corrente marxista-leninista reformista em justificar seus desmandos,
que agora só podem voltar a ter significado se expuserem radicalmente suas
contradições e seus interesses de classe, onde se acumulam os sintomas da sua
degeneração do socialismo e de surgimento do reformismo socialista.
Hoje fica claro, que a
situação confusa desse período eleitoral, que culminou na polarização da ultradireita
e reformistas, anunciando a falência da política pequeno burguesa e da
burguesa, provando não haver lugar intermediário entre a ultradireita e o
verdadeiro socialismo.
A grande lição a tirar da frágil
esquerda “marxista-leninista reformista” é a necessidade de romper uma vez por todas com os
trabalhadores enquanto classe, e vestir o véu do “populismo democrático”,
patrióticos e pacíficos com discurso pequeno burguês teimando em manipular os
interesses do proletariado. Essa esquerda pequeno burguesa de consciência
social está comprometida com uma classe dominante só podendo reproduzir o reformismo.
O que a classe trabalhadora precisa é uma política para si própria.
Não há alternativa nenhuma entre
aqueles que se dizem socialistas marxistas. O pensamento burguês está presente
nas ações sobre o refluxo das ideias marxistas, temos agora uma variedade de
pensamentos obscuros, desesperados, nada coerente.
Essa diluição das ideias
marxistas reforçam as ações reformistas, que no poder negam a luta de classes,
criam pactos entre o proletariado e o patronato, entre Lulas e Malufs, entre
reação e revolução.
O capitalismo é criativo,
pois dominam a mídia, o trabalho, a sociedade, no plano da cultura, política e
ideias produzindo ainda aberrações. As vezes ele treme quando percebe uma
possibilidade de revolta, do fim da propriedade privada, das religiões, da
família, da tradição.
A luta por um mundo novo,
igualitário, com distribuição de renda, respeito as diferenças é uma exigência
desse século, que somente os excluídos podem levar a cabo é a única alternativa
para a humanidade.
SIDNEY NUNES