Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém
diz violentas as margens que o comprimem.
Bertold Brecht
Todo medo que adquirimos da violência,
surge da violência dos homens em submeter outros homens e da sua arrogância em
transformar a natureza para satisfazer seus interesses de poder. A violência
sempre esteve e está à espreita.
Sempre que pensamos em não violência
pensamos em Gandhi, que é admirado mundialmente, poucos sabem que Gandhi
conclamou seus nacionalistas a lutar ao lado da Grã-Bretanha com a condição de
concessão a independência da Índia, assim como é difícil imaginar Gandhi pedir
a participação dos nacionalistas na repressão de uma revolta como a do povo
Zulu cruelmente oprimido pelo colonialismo. Em junho de 1942 manifesta sua
simpatia e admiração pela luta heroica do povo chinês em defender a liberdade e
integridade de seu País, numa declaração em carta dirigida a Chiang-Kai-Chek
aliado do Partido Comunista Chinês, assim como se expressa simpaticamente ao
povo soviético dirigido ao grande homem Joseph Stalin pelas lutas e conquistas.
Outro pacifista mundialmente conhecido é
o Dalai Lama, frequentemente defensor da revolta contra o Tibete, municiando e
municiado das armas americanas e como recompensa recebia homenagens do governo
americano, enquanto Martin Luther King era assassinado por combater a guerra
por essas mesmas razões.
Pasmem, tanto Dalai Lama e Barack Obama
recebem o prêmio Nobel da paz, sabendo-se que no governo Obama foi onde o mundo
pode presenciar a maior interferência militar no mundo, inclusive promoveu e
encorajou ao golpe de estado em Honduras.
Mas o Dalai Lama não é conhecido no
mundo inteiro como o Nobel da paz da não violência?
Tendo fomentado a revolta armada no
Tibete, com recursos americanos, fracassada pela falta de apoio do povo
tibetano não era de se admirar que ele e Obama se encontrassem. Estava na
lógica esse encontro dos dois Premio Nobel da mentira por suas afinidades e
representatividade.
O desejo de paz sempre está associada a
religião, mas os textos sagrados de milhares de anos estão encharcados de
sangue, nenhuma religião é inocente, na sua singela existência está a cruz da
violência.
"A violência está nas origens da
sociedade, ou como diria Durkheim no sagrado social, mais que na religião
em si”.
Na atualidade de momentos efêmeros,
buscamos a subjetividade como abrigo e fugimos daquilo que de fato acontece,
para estarmos criticamente distantes.
Tentar compreender ou explicar algo,
parte da leitura de cada um, não pode ser absoluta pois senão exclui outras
possibilidades de compreensão do todo, capaz de favorecer a superação de um
tipo de violência, a imposição pode fundamentar outros tipos de violência, além
de ser propriamente um tipo de violência.
Somente
através da verdade sem medo, da objetividade, da concretude, tolerância e da
admissão da pluralidade de interpretações poderemos romper a metafísica da
violência.
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