Ouço e leio que o PT perdeu as eleições
para Bolsonaro pelas fake News nas redes sociais, tendo investido na propaganda
virtual. Nessa sedução do poder a “esquerda” confunde política real com
política virtual.
Passada as eleições já se pensa em
manter as migalhas dadas pelos governos anteriores, formando-se uma
“resistência” a favor das “conquistas”, pelas condições de miserabilidade
herdadas.
Nossa esquerda esquece-se de que a luta
não se faz por espaço no planalto e no congresso, mas sim nas ruas, onde estão
as necessidades e realidades do trabalhador, que são objeto de ataques
frequentes da democracia burguesa. A esquerda tem que criar programas e
projetos de lei que atendam às necessidades da sociedade antes de tudo, se é
que pretende ainda continuar fazendo política dentro das regras da burguesia.
A questão aqui colocada é justificada
diante da fome, desemprego, falta de investimento na educação, mídia
tendenciosa e manipuladora, a impunidade dos representantes políticos e
empresários, enquanto as lutas populares diminuem.
Nossos avanços dentro das regras do
Estado se satisfazem com manifestações, abaixo assinados, discursos inflamados
de vaidosas lideranças, festas e beijinhos das gatinhas borralheiras em seus
sapatinhos de cristal.
Não existe revolução espontânea. Precisa
do engajamento de muita gente, como nos mostra a história. Isso só será
possível novamente quando a esquerda for de fato contra o capital em vez de
dançar sob as regras do Estado.
É preciso que a esquerda, em vez de
dizer aos trabalhadores: “As coisas só vão melhorar quando votarem em nós”,
lhes digam: “As coisas só vão melhorar quando vocês meterem as mãos no poder”.
(Francisco M. Rodrigues, 2005)
Com certeza não é do voto que depende o trabalhador para
melhorar suas condições de vida.
Se
faz necessário transpor a fase do denuncismo por si só, que só faz reclamar,
incapaz de abandonar as velhas formas e o pragmatismo do conteúdo. É pela
competência que os militantes e as lideranças poderão enfrentar a velha e
permanente ideologia do capital. É a preparação, a formação e as experiências
que os habilitará a luta.
É um erro subestimar a ameaça que representam os “órgãos de
classe” travestidos de esquerda, sobretudo num momento como o atual, de
contradição e exigência de se posicionar e não se deixar ludibriar pelo
singelo, pela caricatura de lideranças que pregam a democracia burguesa e
querem os trabalhadores de joelhos. Festas de resistência? A música é a mesma,
a história é outra.
Todo civismo tem como sustentação na “democracia” o perdão.
As trocas de generosidades levam a esquerda e a direita a capitular para
demonstrar ao trabalhador quem é superior nas suas mesquinhas vinganças.
Os governos tanto de um lado quanto de outro são os criadores
de mártires que se perdoam. Generais da tortura se tornam humanistas, juízes
são bondosos políticos que culpam e inocentam em nome da paz social,
“representantes” dos trabalhadores se corrompem e são venerados. Ai está como
se ameniza o fascismo.
Aos homens de esquerda que tem dúvidas em ser de fato de
esquerda, é preciso lembrar que é necessário recusar quaisquer esmolas da
burguesia, porque o mundo não pertence a ninguém, senão isso, precisamos
demonstrar que não perdoamos o extermínio, pela fome, pelas doenças, pela falta
de humanidade.
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