ADORNO

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quarta-feira, 14 de novembro de 2018

VOTAR OU METER A MÃO NO PODER?



Ouço e leio que o PT perdeu as eleições para Bolsonaro pelas fake News nas redes sociais, tendo investido na propaganda virtual. Nessa sedução do poder a “esquerda” confunde política real com política virtual.
Passada as eleições já se pensa em manter as migalhas dadas pelos governos anteriores, formando-se uma “resistência” a favor das “conquistas”, pelas condições de miserabilidade herdadas.
Nossa esquerda esquece-se de que a luta não se faz por espaço no planalto e no congresso, mas sim nas ruas, onde estão as necessidades e realidades do trabalhador, que são objeto de ataques frequentes da democracia burguesa. A esquerda tem que criar programas e projetos de lei que atendam às necessidades da sociedade antes de tudo, se é que pretende ainda continuar fazendo política dentro das regras da burguesia.
A questão aqui colocada é justificada diante da fome, desemprego, falta de investimento na educação, mídia tendenciosa e manipuladora, a impunidade dos representantes políticos e empresários, enquanto as lutas populares diminuem.
Nossos avanços dentro das regras do Estado se satisfazem com manifestações, abaixo assinados, discursos inflamados de vaidosas lideranças, festas e beijinhos das gatinhas borralheiras em seus sapatinhos de cristal.
Não existe revolução espontânea. Precisa do engajamento de muita gente, como nos mostra a história. Isso só será possível novamente quando a esquerda for de fato contra o capital em vez de dançar sob as regras do Estado.
É preciso que a esquerda, em vez de dizer aos trabalhadores: “As coisas só vão melhorar quando votarem em nós”, lhes digam: “As coisas só vão melhorar quando vocês meterem as mãos no poder”. (Francisco M. Rodrigues, 2005)
            Com certeza não é do voto que depende o trabalhador para melhorar suas condições de vida.
Se faz necessário transpor a fase do denuncismo por si só, que só faz reclamar, incapaz de abandonar as velhas formas e o pragmatismo do conteúdo. É pela competência que os militantes e as lideranças poderão enfrentar a velha e permanente ideologia do capital. É a preparação, a formação e as experiências que os habilitará a luta.
É um erro subestimar a ameaça que representam os “órgãos de classe” travestidos de esquerda, sobretudo num momento como o atual, de contradição e exigência de se posicionar e não se deixar ludibriar pelo singelo, pela caricatura de lideranças que pregam a democracia burguesa e querem os trabalhadores de joelhos. Festas de resistência? A música é a mesma, a história é outra.
Todo civismo tem como sustentação na “democracia” o perdão. As trocas de generosidades levam a esquerda e a direita a capitular para demonstrar ao trabalhador quem é superior nas suas mesquinhas vinganças.  
Os governos tanto de um lado quanto de outro são os criadores de mártires que se perdoam. Generais da tortura se tornam humanistas, juízes são bondosos políticos que culpam e inocentam em nome da paz social, “representantes” dos trabalhadores se corrompem e são venerados. Ai está como se ameniza o fascismo.
Aos homens de esquerda que tem dúvidas em ser de fato de esquerda, é preciso lembrar que é necessário recusar quaisquer esmolas da burguesia, porque o mundo não pertence a ninguém, senão isso, precisamos demonstrar que não perdoamos o extermínio, pela fome, pelas doenças, pela falta de humanidade.

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