Há 30 anos, uma portaria do juiz de menores Manuel
Moralles proibiu o beijo em público em Sorocaba. Em contrapartida, cerca de
cinco mil jovens reuniram-se na praça Coronel Fernando Prestes para protestar
contra a ação repressora, desafiando a temível Lei de Segurança Nacional,
que vigorava no período da ditadura militar.
Esta ação destacou Sorocaba em noticiários de todo
o país. A iniciativa dos jovens ficou conhecida como “Noite do Beijo” e foi
retratada em livro, lançado no ano passado, pelo jornalista Carlos Batistella.
Para ele, hoje, apesar dos ventos democráticos,
ainda há censura e não afasta a ideia de que uma ação tão repressora, como essa
do juiz, possa se repetir devido a preconceitos que estão arraigados na
sociedade.
Hoje
chamam de "ficar"(seja lá o que signifique tal expressão). No meu
tempo era namorar.
Primeiro
a troca de olhares inebriados, fazendo o coração acelerar a mil, depois o
bilhetinho acompanhado do 3x4" e a indefectível pergunta: "Quer
namorar comigo?" O reforço para o apelo muitas vezes ecoava pelas
madrugadas frias através das serenatas, cujo reportório traduzia a emergência
de mais um apaixonado na praça.
O
primeiro encontro geralmente dava-se na pracinha. Se a amada retribuisse com um
retrato seu o namoro tacitamente estava firmado. Mas isso era exceção. O comum
era o suspense que fazia a pretendida (valorizar-se, não é mesmo?) o que
atiçava ainda mais a paixão do pretendente. E tome mais bilhetinhos com poesias
líricas e apaixonadas.
Rendida a pretendida, o ritual a seguir era o do
primeiro contato corporal. O simples toque de mão carecia de rituais só
comparáveis à posse da Rainha da Inglaterra. Após feito, as mãos entrelaçadas
seria o sinal para a cidade e para o mundo que havia dois apaixonados na praça.
O beijo? Demoraria ainda um certo tempo e muitas vezes o primeiro era
"roubado".
Agora
dramático mesmo era o fim do namoro de forma unilateral. À donzela, caso fosse
desprezada, restava enxaguar as lágrimas ouvindo melosas canções na radiola ou
vitrola. O contrário, ou seja, o "fora" dado no marmanjo tinha por
consequência homéricos porres (se houvesse idade) e a contratação de
cancioneiros para, à luz da Lua, traduzir a dor de um coração partido. Em ambos
os casos, havia a devolução das fotos e das singelas cartinhas ou, se o motivo
fosse traição, eram destruídas pelo fogo o que nasceu por outro: o fogo da
paixão e do Amor.
Dedico
essas músicas a minha primeira e eterna namorada. Aquela que um dia pelo final
da década de setenta fez acelerar um coração solitário, hoje não tão
jovial, mas ainda pulsante pela paixão.
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