ADORNO

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terça-feira, 6 de novembro de 2018

A NOITE DO BEIJO DE SOROCABA


Há 30 anos, uma portaria do juiz de menores Manuel Moralles proibiu o beijo em público em Sorocaba. Em contrapartida, cerca de cinco mil jovens reuniram-se na praça Coronel Fernando Prestes para protestar contra a ação repressora, desafiando a temível Lei de Segurança Nacional, que vigorava no período da ditadura militar.
Esta ação destacou Sorocaba em noticiários de todo o país. A iniciativa dos jovens ficou conhecida como “Noite do Beijo” e foi retratada em livro, lançado no ano passado, pelo jornalista Carlos Batistella.

Para ele, hoje, apesar dos ventos democráticos, ainda há censura e não afasta a ideia de que uma ação tão repressora, como essa do juiz, possa se repetir devido a preconceitos que estão arraigados na sociedade.


Hoje chamam de "ficar"(seja lá o que signifique tal expressão). No meu tempo era namorar. 
Primeiro a troca de olhares inebriados, fazendo o coração acelerar a mil, depois o bilhetinho acompanhado do 3x4" e a indefectível pergunta: "Quer namorar comigo?" O reforço para o apelo muitas vezes ecoava pelas madrugadas frias através das serenatas, cujo reportório traduzia a emergência de mais um apaixonado na praça. 
O primeiro encontro geralmente dava-se na pracinha. Se a amada retribuisse com um retrato seu o namoro tacitamente estava firmado. Mas isso era exceção. O comum era o suspense que fazia a pretendida (valorizar-se, não é mesmo?) o que atiçava ainda mais a paixão do pretendente. E tome mais bilhetinhos com poesias líricas e apaixonadas. 
​Rendida a pretendida, o ritual a seguir era o do primeiro contato corporal. O simples toque de mão carecia de rituais só comparáveis à posse da Rainha da Inglaterra. Após feito, as mãos entrelaçadas seria o sinal para a cidade e para o mundo que havia dois apaixonados na praça. O beijo? Demoraria ainda um certo tempo e muitas vezes o primeiro era "roubado".
Agora dramático mesmo era o fim do namoro de forma unilateral. À donzela, caso fosse desprezada, restava enxaguar as lágrimas ouvindo melosas canções na radiola ou vitrola. O contrário, ou seja, o "fora" dado no marmanjo tinha por consequência homéricos porres (se houvesse idade) e a contratação de cancioneiros para, à luz da Lua, traduzir a dor de um coração partido. Em ambos os casos, havia a devolução das fotos e das singelas cartinhas ou, se o motivo fosse traição, eram destruídas pelo fogo o que nasceu por outro: o fogo da paixão e do Amor.
Dedico essas músicas a minha primeira e eterna namorada. Aquela que um dia pelo final da década de setenta fez acelerar um coração solitário, hoje não tão jovial, mas ainda pulsante pela paixão.



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