ADORNO

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terça-feira, 6 de novembro de 2018

PARTIDOS, FACÇÕES OU SEITAS?




As organizações de classe vivem uma crise histórica; já não mais conseguem estabelecer um ponto de referência capaz de afirmar suas convicções de caráter revolucionário. Vivem numa apatia política que já não mais dá conta de conduzir o processo de luta de classes. Há uma profunda necessidade de se reconstruir essas convicções no seu aspecto, teórico, programático e orgânico, voltadas mais para a atualidade, devendo levar em conta a sociedade no seu aspecto cultural, econômico e social, para estabelecer uma metodologia e valores, capazes de unificar e vencer a crise, superando Marx, Engels entre outros. Por esses o caminho foi mostrado, demostrado nas relações sociais e de trabalho, com acertos, erros e capitulações ao longo da história. É necessário mudar; não interessa onde vai dar, mas sim como caminhar. Não dá mais para continuar se repetindo indefinidamente, nas mãos de lideranças arcaicas, recitantes, desqualificadas, que desejam resolver-se individualmente e não os problemas de uma classe. É preciso tentar apontar caminhos e sair do denuncismo; mesmo com contradições é preciso seguir em frente.
A Voltaire se atribuiu pai da palavra “partido”, já que a palavra “facção” dava um sentido pejorativo a organização social de grupo mesmo tendo a mesma significação, “partido” surge da sua antecessora palavra “seita”, ideia de parte, que se torna “partido”, que além de ser uma divisão é a associação de tomar parte, a “seita” saiu e se bandeou para a religião.
O “partido” institucionalizado ganhou a forma de estrutura na nossa sociedade, associação da parte: “partido” se tornou parte do todo, “facção” parte contra o todo.
Os “partidos” são uma necessidade? Se um “partido” é parte de um todo e não é capaz de governar nesse mundo de poder e sedutor do capitalismo, não seria ele então uma “facção”? Nessa contradição ganha terreno a “seita” e seus fundamentalistas, que gritam, oram, xingam, esperneiam sem ter conhecimento do momento histórico, conservadores que fomentam o caos, a anarquia em nome de uma determinada crença. Quem perde somos nós homens que desejam governar a si próprios.

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