Há muitos desapontados entre
os que elegeram LULA para presidente. Sou um deles. Sei que fazer política sob
as regras do capitalismo é ter que fazer concessões, lidar com hienas, correndo
o risco de ser seduzido pelo capital, mesmo que os sentimentos de esquerda
continuem a palpitar no peito.
As evidencias ai estão,
mesmo condenado politicamente, ele continua prestigiado dentro e fora do país.
Porque? Não por ter enfrentado os donos dos meios de produção, pelo contrário,
não por ter levado o trabalhador ao poder, pelo contrário.
Entendo que ser de esquerda
sob as regras do capitalismo é contraditório, isso dá nisso, depois naquilo.
Cada época tem suas exigências. Antigamente a esquerda tinha uma identidade
oposta ao capitalismo, se fosse necessário pegava-se nas armas. Hoje tudo é um
grande espetáculo, aplaudimos quem faz guerra de guerrilhas, que faz
resistência, tudo no sofá de casa. Atualmente a esquerda se acovardou, reafirma
a falência de seus mitos e heróis e capitula com o capitalismo.
Temos que aceitar os
discursos de quem passeou pelos bastidores do palácio, que conheceu a miséria
política e as contradições dessa velha de vestido novo que é nossa esquerda,
pois o LULA deve ter muito a contar, não sobre o palácio, mas sobre essa
esquerda, para sabermos de seu fracasso e como “marxistas” inspiraram tantas
ações contra- revolucionárias.
Tudo de forma tão digna e
sem perder o status e o carisma, de um condenado político admirado por muitos
trabalhadores, isso é a coisa fantástica da esquerda brasileira, descobrir no
poder que atos de direita podem também ser atos de esquerda.
Observando o cenário atual,
me parece que o espetáculo apresentado pelos políticos no governo LULA,
produziram uma catarse em muitos, pois eles discursam ainda como esquerda, como
num teatro desejam muita merda uns aos outros e os eleitores exigem cada vez
mais.
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