leitura política e leitura do discurso
Nunca houve melhor momento do que o
atual, para quem ousa pensar e expor os pensamentos a respeito da significação
da política partidária, assim como a significação crítica de exercer a
cidadania. É que não existe isenção política enquanto estivermos vivos, mesmo
não fazendo nada fazemos alguma coisa, não fazer nada é também uma ação
política. Exercer a cidadania nos ajuda a descobrir as incertezas, os acertos e
os equívocos.
Deveria haver um aprendizado frequente
com essas incertezas, acertos e equívocos, para poder retificar, melhorar,
repensar o pensado para rever posições, principalmente para quem já viveu as
crises de um governo em crise de princípios.
Os caminhos percorridos por políticos
velhacos, mas virgens no caminho do capital, que ficaram grávidos de propostas
sedutoras e a elas sucumbiram, deu no que deu, um impeachment e uma prisão
política injusta, os personagens dessa história deveriam ter aprendido com as
armações e traições, onde estavam envolvidos quase todos os partidos
principalmente o PMDB, agora MDB, “me diga com quem tu andas que te direi quem
és”, mas esse aprendizado não parece atingir os burocratas da mente do partido
dos trabalhadores
Deveríamos todos aprender com a
experiência, de conhecer, de viver, por parte de quem se prepara para a tarefa
de governar, que envolve necessariamente a arte de fazer política. Minha
intenção não é escrever prescrições que devam ser seguidas, nem tenho estofo
para isso, e também porque seria uma chocante contradição com tudo o que falei
até agora. Pelo contrário, o que me interessa aqui, é fazer uma provocação em
torno de certos pontos ou aspectos, insistindo em que há sempre algo diferente
a fazer na nossa cotidianidade política, quer dela participemos como
militantes, ou como observadores e, por isso, críticos também.
Assim, em nível de uma posição crítica,
a que não dicotomiza o saber do senso comum do saber burocrático e oportunista
de alguns petistas, mais sistemático, de maior exatidão, mas busca uma síntese
dos contrários, o ato de fazer politicagem que implica ganhar a qualquer custo
e se vingar ao invés de governar para o povo, mesmo que isso nos esgote como
eleitores. Como massa de manobra que somos, estamos cansados de ver sempre
o egoísmo, egocentrismo e a falta de comprometimento com o trabalhador.
Se, na verdade, o PT ainda está
fragilizado e sem solução dos conflitos, corre o risco em sua manobra política
de indicar Lula para angariar votos e lançar Haddad para presidente de dar um
tiro no pé, o que é bem provável numa inocência discutível, obscura, do
ex-presidente Lula, não posso ultra-passar uma fase se não consegui com
relativa clareza, ter a significação exata da anterior e do momento. A grande
saída não está em punir Temer, o que se tornará contraditório será se unir ao
MDB, PP, novamente, mas rever os princípios de um partido que se diz de
trabalhadores e de “esquerda”.
Fazer política é uma ação
inteligente, difícil, exigente, mas gratificante no sentido pessoal e
econômico. Ninguém se candidata porque é bonzinho, apesar da singeleza que se
dá aos fatos, até aos atos mais cruéis.
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