ADORNO

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segunda-feira, 12 de novembro de 2018

O ESPETÁCULO DA VIDA



O que se pode perceber no mundo contemporâneo é uma velha prática renovada a partir da reconceitualização dos conceitos. Em que uma classe se divide em duas: classe burguesa e classe trabalhadora, que essas duas classes dão origem a outras duas: a pequeno burguesa representada por aqueles que tem os desejos de um dia ser burguês e a pequeno burguesa com consciência social representada pelos idealistas, com os quais o materialismo dialético pode e se relaciona, em meio aos contrários que se opõem a materialidade: os metafísicistas.
O materialismo dialético e a metafisicidade demarcaram seu território e seus argumentos são diametralmente opostos, sendo responsáveis no campo ideológico pela aguda e complexa luta de classes no mundo inteiro, convivendo com uma força maior a do metaficismo, que no campo do aristotelismo se caracteriza pela investigação das realidades que transcendem a experiência sensível, para fornecer fundamento a todas as ciências particulares, por meio da reflexão a respeito da natureza do ser; filosofia primeira, outra pelo kantismo no estudo das formas ou leis constitutivas da razão, fundamento de toda especulação a respeito de realidades suprassensíveis (a totalidade cósmica, Deus ou a alma humana), servindo como fonte de princípios gerais para o conhecimento empírico.
Na sociedade do espetáculo editada por Guy Debord a sociedade moderna é vista em dois estados, num momento unida, noutro dividida. O espetáculo por ela vivida edifica sua unidade sobre o dilaceramento. As suas contradições, quando surgem do espetáculo na qual está inserida, é contradita pela inversão do seu sentido; de modo que sua divisão exposta é unitária, enquanto a unidade exposta está dividida.
A luta pelo poder se desenrola num universo de contradições, pela sustentação da subjetividade de grande parte da classe trabalhadora principalmente os pequenos burgueses, que moldados pela moral, cultura burguesa e sedução do capital, aspiram as posições e sonhos burgueses de acumulação, servindo de base de sustentação das duas classes, podendo ser o lúmpen, o homem morador de rua, favelado ou não, pois os que o definem não é sua condição econômica, mas seu pensamento.
Sabemos que todas as batalhas historicamente contadas se materializam em falsas lutas entre rivais, unidos a sedução do poder, que se reconhecem entre si como opostas dentro de um mesmo sistema buscando sua definição dentro desse sistema.
O sistema capitalista é uma unidade, que enquanto unidade está dividida no seu interior, coloca na vitrine a cobiça e oferece aos socialistas seus modelos de revolução. A nós cabe gozar de uma vida de gozo reprimido, nossos conflitos, contradições são resultantes de uma insatisfação que se tornou mercadoria.
“As imagens que se destacaram de cada aspecto da vida fundem-se num fluxo comum, no qual a unidade dessa mesma vida já não pode ser restabelecida. A realidade considerada parcialmente apresenta-se em sua própria unidade geral como pseudomundo à parte, objeto de mera contemplação” (DEBORD, 1997: 13).
Os sujeitos sociais caricaturados são espectadores da sua própria miséria, de sua própria organização social, numa inversão concreta do viver, num movimento sinoidal autônomo de um morto, onde quem manda é a mercadoria com uma lógica própria. O homem é uma coisa e a coisa ganha vida.

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