O que
se pode perceber no mundo contemporâneo é uma velha prática renovada a partir
da reconceitualização dos conceitos. Em que uma classe se divide em duas:
classe burguesa e classe trabalhadora, que essas duas classes dão origem a outras
duas: a pequeno burguesa representada por aqueles que tem os desejos de um dia
ser burguês e a pequeno burguesa com consciência social representada pelos
idealistas, com os quais o materialismo dialético pode e se relaciona, em meio aos
contrários que se opõem a materialidade: os metafísicistas.
O
materialismo dialético e a metafisicidade demarcaram seu território e seus
argumentos são diametralmente opostos, sendo responsáveis no campo ideológico
pela aguda e complexa luta de classes no mundo inteiro, convivendo com uma
força maior a do metaficismo, que no campo do aristotelismo se caracteriza pela investigação das realidades que
transcendem a experiência sensível, para fornecer fundamento a todas as
ciências particulares, por meio da reflexão a respeito da natureza do ser;
filosofia primeira, outra pelo kantismo no estudo das formas ou leis
constitutivas da razão, fundamento de toda especulação a respeito de realidades
suprassensíveis (a totalidade cósmica, Deus ou a alma humana), servindo como
fonte de princípios gerais para o conhecimento empírico.
Na sociedade do espetáculo editada por Guy Debord a sociedade
moderna é vista em dois estados, num momento unida, noutro dividida. O
espetáculo por ela vivida edifica sua unidade sobre o dilaceramento. As suas
contradições, quando surgem do espetáculo na qual está inserida, é contradita
pela inversão do seu sentido; de modo que sua divisão exposta é unitária,
enquanto a unidade exposta está dividida.
A luta pelo poder se desenrola num universo de contradições,
pela sustentação da subjetividade de grande parte da classe trabalhadora principalmente
os pequenos burgueses, que moldados pela moral, cultura burguesa e sedução do
capital, aspiram as posições e sonhos burgueses de acumulação, servindo de base
de sustentação das duas classes, podendo ser o lúmpen, o homem morador de rua,
favelado ou não, pois os que o definem não é sua condição econômica, mas seu
pensamento.
Sabemos que todas as batalhas historicamente contadas se
materializam em falsas lutas entre rivais, unidos a sedução do poder, que se
reconhecem entre si como opostas dentro de um mesmo sistema buscando sua
definição dentro desse sistema.
O sistema capitalista é uma unidade, que enquanto unidade
está dividida no seu interior, coloca na vitrine a cobiça e oferece aos
socialistas seus modelos de revolução. A nós cabe gozar de uma vida de gozo
reprimido, nossos conflitos, contradições são resultantes de uma insatisfação
que se tornou mercadoria.
“As
imagens que se destacaram de cada aspecto da vida fundem-se num fluxo comum, no
qual a unidade dessa mesma vida já não pode ser restabelecida. A realidade
considerada parcialmente apresenta-se em sua própria unidade geral como
pseudomundo à parte, objeto de mera contemplação” (DEBORD, 1997: 13).
Os
sujeitos sociais caricaturados são espectadores da sua própria miséria, de sua
própria organização social, numa inversão concreta do viver, num movimento
sinoidal autônomo de um morto, onde quem manda é a mercadoria com uma lógica
própria. O homem é uma coisa e a coisa ganha vida.
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