ADORNO

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

SOMENTE OS MORTOS NÃO TEM IDEOLOGIA OU NÃO TOMAM PARTIDO


Viver significa fazer escolhas todo tempo. Não há como ignorar o outro em nossa breve existência. Vivemos em sociedade, precisamos determinar como viver e nossas escolhas acabam por determinar nosso modo de vida. Viver exige todo tempo o exercício de cidadania. O oposto, a indiferença, é covardia.
Não fazer escolhas é o que nos impede de avançar como seres humanos, como sujeitos sociais, é essa ação de inercia produzida na mente social de forma proposital para que desistamos de viver. A história é a prova disso.
O que não acontece, acontece porque a sociedade deixa de exercer sua vontade, deixa de fazer, de emitir sua opinião, daí se choca com as armas, que fazem por si. Deixar de pensar no mundo, no seu país, no seu estado, no seu município, deixar seus representantes subirem ao poder, para depois só uma revolução poder tirar, são fatos determinantes na história, são a realidade com aparência fictícia da indiferença, por aqueles que não tomam partido, e amadurecem silenciosamente, dão forma a vida coletiva dos mortos políticos.
Quando uma sociedade ignora o que está a sua volta, não dá atenção a vida e o viver, acaba mentindo para si e interagindo como se tudo fosse natural. E se eu tivesse assumido uma posição? Se eu tivesse feito valer minha vontade? Eu teria mudado algo? A indiferença e o ceticismo estiveram sempre aliados, por isso nunca tomaram partido, ou se engajaram em combater os males a favor de algo com qual sonhavam. São os que hoje reclamam da falta de “sorte”, das injustiças, dos políticos só sabem roubar, buscando sempre a culpa no outro. Os que não tomam partido são entediantes, por seu choro frequente, aparentemente inocente.
Viver é militar, expressar o pensamento, tomar partido, fomentar o olhar crítico para o mundo, e, saber que não existe crítica construtiva, que toda crítica é destrutiva, para se construir o novo, isso é realidade.


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