ADORNO

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

FAKE NEWS - UMA MENTIRINHA NÃO FAZ MAL A NINGUÉM.


Se no futuro resolverem falar e viver a verdade, o século 21 com certeza ganhará o prêmio da mentira e da reafirmação histórica dela.

Depois do termo pós-verdade, veio à tona o termo fake news, ou notícia falsa. Quando pesquisamos nossas estórias do passado, descobrimos que precisamos desconfiar até nós mesmos e quando se trata do ambiente digital a desconfiança é maior ainda.

Segundo alguns historiadores notícias falsas sempre existiram. Num texto chamado anedota no século 6 já se espalhava mentiras. O jornalista Aretino em 1942-1556 é considerado o maior difusor desse tipo de notícia principalmente sobre os cardeais da época, o que também devemos duvidar já que o título foi dado por quem se sentia difamado. Em Londres nos anos 1770 os homens parágrafos recolhiam e vendiam fofocas a editores, que publicavam reportagens sensacionalistas e difamatórias sobre figuras importantes da época.

Segundo Rosseau é raro e difícil que uma notícia seja inocente. Quando se mente é para levar vantagem, é fraude, para prejudicar é calúnia considerada a de pior espécie de mentira.
Para Emmanuel Kant aquele que mente, por mais com boas intenções que esteja ao mentir, tem de responder pelas consequências de sua mentira. Aqui fica apenas uma pergunta: quem responde pela exagerada produção de notícias falsas criadas em ambiente digital? Difícil acreditar que a verdade esteja de um lado só.
O teólogo e filósofo, Tomás de Aquino diferenciava entre três tipos de mentira: a viciosa, que visa enganar por um motivo vil mesmo; a oficiosa, que visa algum bem; e a jocosa, que visa divertir ou entreter. Essas duas últimas são, na opinião dele, pecado venial, ou seja, não muito graves, mas ainda assim moralmente erradas. Aquino diz que mentir é sempre errado, mas apenas as mentiras para fazer mal, são as consideradas pecados mortais. Aquelas mentiras criadas para divertir e para ajudar os outros são perdoáveis.
Por mais contraditório que possa parecer inicialmente, existe uma Ética, inclusive, no ato de Mentir, a denominada “Ética da Mentira”. A depender da justificativa ou motivação que se usa para fundamentar este ato, a Mentira será ou não aceita socialmente. Sua concordância ou repulsa dependerá ainda do contexto social, do ordenamento jurídico, da política, da religião, enfim, da cultura em que ela fora empregada. É passível o entendimento de que a verdade absoluta, em toda e qualquer circunstância, tornaria as relações sociais insustentáveis. Mas é preciso questionar até que ponto, em quais circunstâncias, a Mentira é legítima e necessária. A legitimidade de sua aplicação deve ser mais minuciosamente pensada quando se faz presente na política, na regência de um governo e até mesmo positivada no ordenamento jurídico.
A Moral se manifesta como a prática de uma Ética. Ética é a concepção, é princípio, que se traduz numa Moral. O princípio de não pegar o que não me pertence, por exemplo, se concretiza com a atitude de roubar ou não. Algumas pessoas consideram uma relação sócio afetiva entre pessoas do mesmo sexo imoral. Isso porque a Moral é relativa e depende do que indivíduo tem como referência de Ética e o contexto histórico o qual ele está inserido. Por fim, a Ética é sempre de uma época e de um grupo, mas tem como aspiração a tentativa de ser universal. Desta feita, para definirmos Ética devemos levar em consideração que a mesma sempre está inserida no contexto da ação, por ser uma ciência normativa que direciona as ações humanas.
Friedrich Nietzsche afirma que a grande maioria daquilo que atribuímos como verdade, só é considerada como tal, devido a uma construção social, linguística e cultural. Desse modo, concluiu que as falsas moralidades funcionam mais como prática de uma ética de mentiras do que de virtudes autênticas.
O filósofo alemão acreditava que a mentira ganha forma de verdade quando a pessoa que é enganada não possui provas ou pensamentos lógicos para refutar o que lhe foi transmitido, dessa forma, a mentira pode se prolongar durante muito tempo, sendo considerada uma verdade inquestionável. Por isso que muitos são enganados pela mentira, porque pensam que a mesma é verdade. O que é portanto a verdade? Uma multidão móvel de metáforas, metonímias e antropomorfismos; em resumo, uma soma de relações humanas que foram realçadas, transpostas e ornamentadas pela poesia e pela retórica e que, depois de um longo uso, pareceram estáveis, canônicas e obrigatórias aos olhos de um povo: as verdades são ilusões das quais se esqueceu que são, metáforas gastas que perderam a sua força sensível, moeda que perdeu sua efígie e que não é considerada mais como tal, mas apenas como metal (NIETZSCHE, 2007, p. 56).
Essa prática, tão comum na nossa sociedade, pode ser notada com clareza quando analisamos as posturas dos nossos representantes políticos, que fazem falsas promessas aos cidadãos, desviam o dinheiro público e mesmo com tantas provas evidentes ou forjadas, negam que o tenham feito. Esse costume de mentir, que foi consolidado ao longo dos anos, gera consequências gravosas. Como possuímos o hábito de mentir, acabamos não percebendo com facilidade determinadas mentiras e, por conseguinte, disseminamos esse costume por ser uma das maiores dificuldades do homem, se não a maior, perceber, atribuir um juízo de valor, sobre o que estamos acostumados a fazer ou pensar, se é correto ou errado.
Ninguém assume coisa alguma. Ninguém jamais confessa suas motivações, nada. Sempre há um bom pretexto, uma estória mirabolante a justificar qualquer coisa, por mais estranha e inverossímil que possa parecer. Inventam-se álibis, desculpas esfarrapadas e enredos dos mais diversos para escapar ou acusar. E o pior de tudo é que, na maioria das vezes, cola.

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