ADORNO

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

TEMPOS DE TRANSFORMAÇÃO?


Vamos lembrar dos três elementos fundamentais da sociedade que muitas vezes deixamos de considerar: O passado, o presente e o futuro. São elementos históricos que não podemos negar. O homem é o único animal capaz de transformar a natureza. Em todos os momentos da história parte de uma geração exerce uma vigilância rigorosa sobre os destinos da sociedade, luta e morre por isso. Somente atentos, com uma visão crítica sobre a vida, podemos criar as condições para nossa transformação como sociedade. As gerações procuram esquecer suas contradições, suas capitulações a cada época. Sempre com as mesmas desculpas de que foram vítimas das necessidades. Qualquer que tenha sido o grau de envolvimento de cada um, sempre evitamos o enfrentamento por medo e com isso evitamos o crescimento intelectual, político e nossa liberdade.
Sempre fomos marionetes do sistema capitalista, que explora os trabalhadores, que humilha, brutaliza, e mata o povo de fome. No tabuleiro do colonialismo fomos peões e permitimos a estruturação desse sistema cruel. As ações dos militantes somente reforçaram esse sistema, impediram as lutas, os confrontos, pela cultura de cultuar a vida e desprezar a morte por uma causa para o bem de todos.
Não há Gal. Ustra, não há polícia, não há estrutura, não há colaboradores da ditadura que se possa considerar dissociado dos crimes hediondos do capitalismo. Não há outras patentes do exército e da política que se possa sentir alheio a repressão e a barbárie da ditadura contra o povo brasileiro.
As gerações em cada época sempre tiveram consciência disso. As derrotas da esquerda e seu desmantelamento sempre aconteceram pelo medo e pela falta de clareza do que é ser socialista e comprometimento. É preciso saber sempre até onde estamos dispostos a ir.
Os comprometidos sempre foram uma minoria, se não, poderíamos estar comemorando vitórias. A nossa falta de maturidade resultou nas nossas ações, nas nossas atitudes, nos nossos compromissos com o que vivemos hoje. Essa é a razão da nossa ignorância, dos nossos desejos burgueses na atualidade. Ações, atitudes e compromissos contra a sociedade e nós mesmos. E isso, se refletiu nas urnas.
Nossas derrotas comemoramos com festas, denunciamos, denunciamos, mas não temos credibilidade perante ao trabalhador e a sociedade não nos identifica ou reconhece como uma alternativa revolucionária. Existem filhos, órfãos e viúvas, cujos pais e maridos caíram nas mãos do DOI/CODI, ou foram mortos sem solução. Ainda há luto em nosso País. Contudo não fizemos muito. Colocamos apenas as fotos nas vitrines do capital.  O nosso compromisso com o inimigo mantém-se atual.
Primeiro juntamo-nos aos partidos de esquerda pequenos burgueses que creem que transformação através do voto e do diálogo, pois assumiram o discurso burguês de que Deus é brasileiro e brasileiro é bonzinho. Bebem cerveja com a reação. Não podemos viver sem sermos moleques. Não podemos viver sem lamber botas, sem praticar o servilismo e o perdão. Não temos dignidade, personalidade e valor. Esse é o perfil da nossa esquerda liberal pequeno burguesa. Assumirmos nossas fragilidades e ignorância política significa renascer de novo. Não é a idade que conta. São os valores, a personalidade. Ser capaz de inserir-se na sociedade, ganhar seu respeito e incutir-lhe os conceitos socialistas é rejuvenescer. Ser capaz de viver as mutações e transformações e ser agente ativo dessas transformações e não simples espectador, é ser novo. Isso é avanço. Compreendendo nossos erros e decidirmos que, com o trabalho da militância, o estudo e dedicação, com o seu engajamento nas tarefas da reconstrução dos ideais poderemos caminhar para um país mais justo. Isso é a demarcação de um território que tem compromisso com o futuro. Viver para o amanhã.  É urgente primeiramente se liberdade do inimigo que está em nossa mente. Criar uma trincheira firme da liberdade. Mesmo que não sejam militantes de luta, na linha de frente que sejam administradores e pensadores revolucionários com orgulho, pois não existe revolução sem uma teoria revolucionária.

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