Vamos
lembrar dos três elementos fundamentais da sociedade que muitas vezes deixamos
de considerar: O passado, o presente e o futuro. São elementos históricos que
não podemos negar. O homem é o único animal capaz de transformar a natureza. Em
todos os momentos da história parte de uma geração exerce uma vigilância
rigorosa sobre os destinos da sociedade, luta e morre por isso. Somente
atentos, com uma visão crítica sobre a vida, podemos criar as condições para
nossa transformação como sociedade. As gerações procuram esquecer suas
contradições, suas capitulações a cada época. Sempre com as mesmas desculpas de
que foram vítimas das necessidades. Qualquer que tenha sido o grau de
envolvimento de cada um, sempre evitamos o enfrentamento por medo e com isso
evitamos o crescimento intelectual, político e nossa liberdade.
Sempre
fomos marionetes do sistema capitalista, que explora os trabalhadores, que
humilha, brutaliza, e mata o povo de fome. No tabuleiro do colonialismo fomos
peões e permitimos a estruturação desse sistema cruel. As ações dos militantes
somente reforçaram esse sistema, impediram as lutas, os confrontos, pela
cultura de cultuar a vida e desprezar a morte por uma causa para o bem de
todos.
Não há
Gal. Ustra, não há polícia, não há estrutura, não há colaboradores da ditadura
que se possa considerar dissociado dos crimes hediondos do capitalismo. Não há
outras patentes do exército e da política que se possa sentir alheio a
repressão e a barbárie da ditadura contra o povo brasileiro.
As
gerações em cada época sempre tiveram consciência disso. As derrotas da
esquerda e seu desmantelamento sempre aconteceram pelo medo e pela falta de
clareza do que é ser socialista e comprometimento. É preciso saber sempre até
onde estamos dispostos a ir.
Os
comprometidos sempre foram uma minoria, se não, poderíamos estar comemorando
vitórias. A nossa falta de maturidade resultou nas nossas ações, nas nossas
atitudes, nos nossos compromissos com o que vivemos hoje. Essa é a razão da nossa
ignorância, dos nossos desejos burgueses na atualidade. Ações, atitudes e
compromissos contra a sociedade e nós mesmos. E isso, se refletiu nas urnas.
Nossas
derrotas comemoramos com festas, denunciamos, denunciamos, mas não temos
credibilidade perante ao trabalhador e a sociedade não nos identifica ou
reconhece como uma alternativa revolucionária. Existem filhos, órfãos e viúvas,
cujos pais e maridos caíram nas mãos do DOI/CODI, ou foram mortos sem solução. Ainda
há luto em nosso País. Contudo não fizemos muito. Colocamos apenas as fotos nas
vitrines do capital. O nosso compromisso
com o inimigo mantém-se atual.
Primeiro
juntamo-nos aos partidos de esquerda pequenos burgueses que creem que
transformação através do voto e do diálogo, pois assumiram o discurso burguês
de que Deus é brasileiro e brasileiro é bonzinho. Bebem cerveja com a reação.
Não podemos viver sem sermos moleques. Não podemos viver sem lamber botas, sem
praticar o servilismo e o perdão. Não temos dignidade, personalidade e valor. Esse
é o perfil da nossa esquerda liberal pequeno burguesa. Assumirmos nossas
fragilidades e ignorância política significa renascer de novo. Não é a idade
que conta. São os valores, a personalidade. Ser capaz de inserir-se na
sociedade, ganhar seu respeito e incutir-lhe os conceitos socialistas é
rejuvenescer. Ser capaz de viver as mutações e transformações e ser agente
ativo dessas transformações e não simples espectador, é ser novo. Isso é avanço.
Compreendendo nossos erros e decidirmos que, com o trabalho da militância, o
estudo e dedicação, com o seu engajamento nas tarefas da reconstrução dos
ideais poderemos caminhar para um país mais justo. Isso é a demarcação de um
território que tem compromisso com o futuro. Viver para o amanhã. É urgente primeiramente se liberdade do
inimigo que está em nossa mente. Criar uma trincheira firme da liberdade. Mesmo
que não sejam militantes de luta, na linha de frente que sejam administradores
e pensadores revolucionários com orgulho, pois não existe revolução sem uma
teoria revolucionária.
Nenhum comentário:
Postar um comentário