Fui infectado alguns anos atrás, para ser mais exato na
década de 90, por essa arte chamada filosofia. Acho que foi quando ganhei das
mãos da professora Marilena Chaui, com dedicatória e tudo seu livro “ Introdução
a filosofia”. Dali para cá, definho rapidamente, com a certeza de que se o
inferno existe é aqui! Desculpem a frase feita, mas foi a única que me veio à
mente nessa hora.
Sou movido a utopia, tenho boa saúde, nunca entrei em um hospital,
não tenho amigos de fato, todos foram efêmeros, assim como meus cinco
casamentos e 3 filhos, logo, não amo e nem me sinto amado.
Difícil aceitar, mas a vida chegou num momento de transição,
onde nada é mais recuperável; com alguns cabelos brancos, musculatura com
princípios de flacidez, um corpo já não tão ágil, estou incapaz de dar
porradas, quanto mais receber; aproxima-se o momento de ter como contato
principal na agenda o telefone do SAMU e nunca esquecer de levar na pochete um item
imprescindível: A fralda geriátrica. Tenho a certeza de que não verei o mundo
que quero e pelo qual lutei e luto.
Não consegui ser feliz, talvez porque ainda procuro, se
procuro não encontrei. Escreveu uma vez Cecília Meirelles:
“ És precária e veloz, felicidade,
custas a vir e, quando vens, não te
demoras.
Foste tu que ensinaste aos homens que
havia tempo,
e, para te medir, se inventaram as
horas.”
Será?
Tentei...tentei...tentei...tento de novo...
Já bebi
muita Coca-Cola, muitas vezes bêbado, rezei, chorei, rezei, cherei, fumei, comi
cogumelos e até tentei consultar Carlos Castanheda, fiz simpatias para
emagrecer e ficar jovem para sempre.
A felicidade
não jorrou, não alimentou, não encheu os pulmões, ninguém escutou, continuo
enrugando o tempo e com uma baita sensação de infelicidade.
Nem meus
heróis, nem Cazuza foram felizes, muito menos Cássia Eller, talvez se eu ainda
fosse uma menininha em meias ¾ quem sabe? Quando acordo sorridente e
comunicativo, alguém confunde com felicidade e diz: Que foi? Viu um passarinho
verde? Não vai ser sempre assim...
Me recuso
aos falaciosos argumentos do mundo capitalista sobre os modelos de felicidade
baseados no consumismo ou em um mundo perfeito proposto pelo socialismo. Não
posso acreditar em felicidade a partir do que possuo, isso é prazer, muito
menos em uma ideia de felicidade baseada em sofrimento, lutas e conquistas.
Nunca fui, não sou e nem serei eventualmente feliz. Não acredito muito nisso,
pois levo sempre em conta o outro, é como ser ateu, negar a existência de algo
é admitir que algo existe, vou sair desse embrólio dizendo que estou com Wave
de Tom Jobim:
“È impossível
ser feliz sozinho, o resto é mar...”
Agora que
estou deixando a adolescência posso confessar, que não guardei ou cultivei felicidade,
por isso quando encontrar não saberei o que é, também não a confundirei com
prazer, euforia, bem-estar como fazem muitos. O certo é que faço como Frank no
consultório do psicanalista:
“- Eu não
quero fugir da realidade doutor. Eu só quero que ela me deixa em paz um
pouquinho...”
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