Há oito anos acreditamos como todos os movimentos populares, sindicatos, organizações, etc, que poderíamos estar perto de uma transformação histórica; avaliamos erroneamente esse governo, perdemos qualquer referência, não sabemos diante do neoliberalismo, de tantas contradições surgidas, em quem de fato acreditar, quem são verdadeiramente nossos inimigos, a paralisia está presente e a ilusão histórica ainda perdura.
Este governo chegou ao ponto mais alto ao qual podia atingir em termos de contradições, agora começa o início do seu declínio, análise fruto de momentos históricos semelhantes que conhecemos. Tempos difíceis estão por vir. A situação de precariedade da arte se torna absolutamente intolerável.
Mesmo agraciados pelo dinheiro público que não atende a demanda artística, alguns poucos de nós consegue perceber o que há por trás do legalismo, que não leva a transformação mas sim a uma confortabilidade efêmera, para muitos deixar o conservadorismo de lado e alçar vôos mais altos é difícil, não se reconhece inimigos no poder, buscar o diálogo e a harmonia é a palavra do momento para continuar repetindo e aceitando que “apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos´. Não somos. Os modelos culturais prontos, globalizantes, não devem nos contentar, precisamos considerar e nos espelhar nos princípios dos artistas revolucionários, nossas necessidades são outras é um outro momento, as ações não devem acontecer por acaso, nem se esperar ações espontâneas, precisamos fazer a hora, a arte não deve mais obedecer o Estado, somos opositores ou não a ele? A arte deve buscar construir o momento revolucionário e como também protagonistas precisamos articular e nos mobilizar, criar um organismo representativo capaz disso, para nos reconhecermos enquanto classe. Os discursos ainda continuam os mesmos, a esquerda ainda acredita na mudança através de partidos, acredita numa revolução por dentro do governo e não como força opositora capaz de uma organização paralela de combate junto com a classe trabalhadora, então percebe-se os mesmos discursos legalistas de sempre, pautados pelo governo, negando-se o combate e a uma arte radical. Que arte é essa? Vamos pensar juntos?
Precisamos financiamento para desenvolvermos nossos trabalhos e não desenvolver nosso trabalho para ganhar dinheiro.
A luta de organizações combativas que buscavam a derrubada desse sistema bárbaro em busca de um novo modo de produção, na falta de dinheiro buscavam tirá-lo dos exploradores, sob o olhar lógico formal e legalista não passavam de assaltantes comedores de criancinhas, juízo moral que permanece e norteia nossa consciência e está presente em grande parte de nosso fazer artístico.
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