ADORNO

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

CONTRIBUIÇÃO SOBRE CULTURA


Com o objetivo de amadurecer a discussão sobre a questão cultural, se é que me é possível fazer tal contribuição, tenho como meta sair do discurso vago e adjetivado, formular um pensamento e propor algo de concreto.
Considerando, direito a cultura, incentivo a cultura, proteção a cultura, cultura popular, cultura nacional, busco saber em que consiste isso e como efetivar isso, para propor e fugir desse modelo existente.
O que mais me incomoda é a ingerência do Estado na cultura ( através do controle econômico da produção, da censura, da burocratização do processo cultural) e da idéia de que a questão básica da cultura é a educação, a partir desse pressuposto passa ser importante primeiro ter educação no país. Essa discussão é antiga e se tornou acalorada na década de oitenta, onde se defendia que era necessário proteger e criar uma identidade nacional através de uma cultura nacional e popular, e que isso não podia se dar sem o Estado. Em nenhum momento, porém, discutiu-se o que fazer para se chegar lá, como fazer para se alcançar aqueles objetivos – se é que eles eram de fato evidentes, necessários e factíveis. O que se propôs foi a criação de um Ministério em 1984, sem saber exatamente porque, sem ação de programa, ficou 12 meses depois de criado consultando os interessados antes de se decidir o que fazer.

  1. Adotou-se uma visão de mercado para apoiar os produtores culturais – especialmente no caso do cinema (Embrafilme) – e outra para os que não tinham mercado através da FUNARTE, que como se sabe dá apoio a cultura que está no mercado.
  2. Tratou-se de conseguir com isso apoio ou, pelo menos o silêncio dos produtores culturais que eram e são, senão a consciência, pelo menos a voz crítica da nação, assim eles se julgam.

O que importa aqui é deixar registrado que o que se fez até agora com relação a cultura foi dar algum apoio (como forma de controlar tudo) os produtores, isto é, aqueles que viam e vêem a cultura como bem trocável por dinheiro. O problema do apoio é que ele serve a uma pequena parte de todo um sistema num país de carências e escassez, onde um governante tem a obrigação de determinar prioridades, o que não há na área de cultura. È necessário nesse momento a exigência de que todo partido tenha um programa claro sobre cultura para seus eleitores, já que não nos propomos a uma revolução nesse momento.
Sugiro uma política que estimule a criação para a elaboração de produtos, para que cada um particularmente em conjunto, agrupados em coletivos, possam se exprimir, não fazendo para consumo do outro, mas fazendo para que encontre em seus semelhantes de grupo, classe ou humanidade uma ressonância. Produção para ser consumida pelos que a fazem.
Uma das forma que vejo capaz de dar conta dessa abstração, seria a luta por Centros Culturais em cada bairro, que abrigasse todas as linguagens, com verba pública, sob o controle da categoria (grupos estáveis de trabalho continuado), com liberdade para determinar a forma e o conteúdo desses centros, com a responsabilidade de transformar politicamente o seu entorno e formar agentes culturais capazes de dar sustentação ao fazer cultural da sociedade.

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