ADORNO

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quarta-feira, 25 de abril de 2012

O HUMANISMO ABSOLUTO E O MATERIALISMO



 Há pessoas que têm uma filosofia de vida, mas não têm uma religião e nem acreditam emDeus. São ateias. Entre essas filosofias de via, evidenciaremos neste tópico, e em grandeslinhas, o humanismo absoluto e o materialismo. São formas de compreender a realidade quese traduzem em determinadas atitudes para a humanidade e em valores éticos.De maneira bem ampla, o eixo que sustenta o humanismo é o indivíduo é o o eixo que sustenta o materialismo são as ciências naturais. Nos próximos tópicos, serão estudadosalguns autores, vindos dos campos da filosofia, da psicanálise e da economia política, quelevaram o humanismo absoluto às suas últimas conseqüências. Mas neste, de cunhointrodutório, vamos nos deter no significado do humanismo e do materialismo.

O humanismo

 A palavra humanismo deriva de humano. Podemos definir um humanismo como aquele quedá maior importância aos seres humanos, à vida humana e à dignidade humana. O humanismoenfatiza a liberdade do indivíduo, sua razão, suas oportunidades e seus direitos ( HELLERN;NOTAKER;GAARDER, 1989, p. 227).

Breve histórico do humanismo

 As raízes históricas do humanismo são antigas. Períodos históricos como a Antiguidade, ORenascimento e o Iluminismo são particularmente marcados por essa forma de pensar. Masapenas no século XIX o humanismo rompeu com as raízes religiosas.Os humanistas da Antiguidade- Sócrates (399 a.C.) e a escola filosófica do estoicismo (150a.C.200 d.C.) focalizaram os seres humanos, e não mais a especulação filosófica sobre a origemdo mundo e os elementos que o formam: indicaram a razão como fundamento e guia de todapercepção (Sócrates); e acretitavam que há uma lei natural  que se aplica a todos os sereshumanos (estóicos).O humanismo da Renascença (meados do século XIV)pode ser personificado em Leonardo daVinci. Apaixonado estudioso da natureza e de todos os processos naturais. Da Vinci fezexperiências científicas e foi inventor. Acima de tudo, interessou-se pelo ser humano, tantocomo espécie quanto como indivíduo- a Mona Lisa, por exemplo, retrata uma mulher cheia decaráter e personalidade. O Humanismo renascentista instaurou o método experimental comobase para a ciência e trouxe uma nova atitude para com a humanidade, com a redescoberta dovalor do ser humano como algo grandioso e belo.O iluminismo, cuja expressão máxima é Voltaire (1694-17780), trouxe uma crença inabalávelno triunfo do esclarecimento e da razão. Pessoalmente, Voltaire não era ateu. Lutou, noentanto, contra a crença dogmática em Deus e contra a opressão das autoridades eclesiásticas.
 

A separação entre o humanismo cristão e o humanismo profano ou absoluto

 A grande maioria dos humanistas da Renascença era cristã por conviccção. Mas, a partir doséculo XIX, com o biólogo Charles Darwin e sua teoria da evolução, há uma ruptura dohumanismo com o cristianismo, tendência já presente no Renascimento. O humanismoprofano ou absoluto se separa do humanismo cristão.No humanismo de raiz cristã, a razão e a capacidade humana de percepção religiosa sãojustamente a fonte da dignidade humana. Para o humanismo absoluto, ao contrário, há umaforte confiança na razão e na experiência humanas. Embora as faculdades humanas sejamlimitadas,
o ser humano deve confiar em si mesmo e só deve depender de si mesmo e de suaspróprias capacidades. Não deve transformar suas idéias sobre o desconhecido em princípiosreligiosos.Utilizando apenas sua razão ou sua experiência, o ser humano não pode afirmar que Deusexiste. Mas também não pode dizer com certeza que Deus não existe. Por essa razão, ohumanista muitas vezes define-se como agnóstico. E, porque vive como se Deus não existisse enega a realidade sobrenatural, assume o ponto de vista ateu.

Visão humanista do ser humano e ética

 A atitude para com a humanidade é positiva e otimista, o ser humano ser de liberdade edignidade, de igual valor. A razão humana proporciona a diferença entre o certo e o errado. Aética humanista caracteriza-se pelo princípio da reciprocidade, pelo respeito à dignidade einviolabilidade do indivíduo. É do Iluminismo que nascem as bases para a Declaração doDireitos Humanos da ONU , em 1948.

O materialismo

 Devemos fazer uma distinção entre materialismo filosófico e materialismo ético. Omaterialismo filosófico é a  convicção de que todos os fenômenos do mundo podem ser atribuídos a condições físicas. Não háforças espirituais agindo independentemente das leis da física. A realidade é composta unicamente dematéria,ou, em outras palavras, natureza (HELLERN; NOTAKER; GAARDER,1989, P. 240O materialismo ético é uma visão da vida, ou uma atitude perante a vida que dá importância aosbenefícios materiais e ao prazer físico( HELLERN;NOTAKER; GAARDER, P.240)

Breve histórico do materialismo

 O materialismo também nasce na Antiguidade, com Demócrito (atomismo) e Epicuro(materialismo ético). Os séculos XVI e XVIII vêem o desenvolvimento de um materialismo detipo mecanicista: o universo está sujeito a constantes imutáveis, ou a uma mecânica ( IsaacNewton, 1643-1727). Também o ser humano seria como uma máquina. Segundo essaconcepção, o cérebro seria um músculo para pensar, como a perna tem músculos para andar.No século XIX, o materialismo é eclipsado por uma visão naturalista da vida. Nesse caso, foifundamental o trabalho do biólogo Charles Darwin, que ofereceu uma explicação naturalista coerente sobre a evolução da vida na Terra. Ideias naturalistas passaram ao terreno social epsicanalítico.Exemplos são o pensamento de Nietzsche e Freud. Para Nietzsche, o homemfraco deve ceder lugar ao super-homem, ou seja, para aqueles que se superam comoindivíduos. Para Freud, a vida mental do ser humano é dominada pelo principio sexual.

A compreensão materialista da realidade

 O materialismo tem uma visão ateísta da realidade. A chave para compreensão do mundo é opróprio mundo, não os conceitos produzidos. O conhecimento do mundo é obtido por meio daexperiência e da percepção sensorial  é dessa forma, empírico. A idéia de Deus deve serrejeitada, pois não tem fundamento na experiência (compreendida como experimento).Muitos cristãos e humanistas compartilham dessa visão científica do mundo, assumindo opensamento da astronomia e da biologia modernas sobre o início do universo e da vida. O quediferencia os materialistas é o tipo de criação religiosa. Para eles, tudo o que se pode afirmarcom relação à Terra e ao universo é o que a ciência afirma. A visão materialista sobre o ser humano  Não há diferenças substanciais entre o ser humano e os outros organismos vivos, pois as leisda química regem todas as formas de vida. E se o ser humano, no século XVIII, pôde sercomparado a uma máquina, o cérebro humano pode hoje ser comparado, pelos materialistas,a um computador exremamente complexo, mas totalmente regulado pelas leis bioquímicasconstantes no mundo natural.

O materialismo e a ética

 Do ponto de vista ético. O meterialismo filosófico não leva necessariamente ao materialismoético, tal qual foi definido. Assim, não há nenhuma contradição entre uma visão materialista ea caridade ou a consideração da dignidade humana. Mas não encontramos na filosofiamaterialista conceitos como a sacralidade da vida ou a sua inviolabilidade. Assim, entrematerialistas é mais fácil encontrar os que não hesitam na prática do aborto, da eutanásia, detransplantes ou de modernas pesquisas médicas, como experiências com material genéticohumano. Os valores, para essa filosofia, são criação da sociedade, variando de uma sociedadepara outra, ou de uma cultura para outra, determinados pela busca da sobrevivência naseleção natural. Configura-se, assim, em um relativismo moral

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