ADORNO

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sexta-feira, 13 de abril de 2012

A cultura de massa para Edgar Morin

 
o sociólogo Edgard Morin

As sociedades modernas são policulturais, compostas por culturas nacionais, religiosas ou humanistas. Depois da segunda Guerra Mundial, a sociologia americana percebeu esta configuração e a denominou cultura de massa, produzida por uma indústria e destinada a um grande público, independentemente, das estruturas internas da sociedade. E, por um processo de segunda industrialização, domina o interior do ser humano.
Como conseqüência desse processo, o espírito humano passa a ser colonizado, assim como a África e a Ásia o foram. Isso cria uma cultura industrial, surgida e impulsionada pelo espírito capitalista, no âmbito do Estado e da iniciativa privada, a partir das invenções tecnológicas, que se desenvolvem, indiscutivelmente, pelo lucro.
Para a indústria cultural atingir um público extenso,a massa, é necessária uma variedade na informação ou no imaginário. O produto da cultura deve ser eclético, em temas como, por exemplo, esportes, humor, religião, política e arte.
Porém, essa variedade é homogeneizada, criando um estilo universal, o sincretismo. Como no cinema, em que “um filme de aventura, haverá amor e comicidade, num filme de amor, haverá aventura e comicidade e num filme Cômico haverá amor e aventura”. Deste modo, a cultura de massa atende às demandas do “homem médio universal”, uma espécie de anthropos universal, cujo paradigma repousa na noção de juventude. O homem médio é o jovem.
A temática da juventude é um dos elementos fundamentais da nova cultura. Não são apenas os jovens e os adultos jovens os grandes consumidores de jornais, revistas, discos, programas de rádio, mas os temas da cultura de massa são também “jovens”.
A manifestação principal da cultura de massa, segundo Morin, é o espetáculo, que decorre de uma ênfase da cultura de massa no lazer. Esta relacionada a um tipo de organização do trabalho que entende o lazer como uma atividade reparadora. O espetáculo é a manifestação de conteúdos estéticos que determinam uma forma de relação. Esta faz com que o espectador – no caso, do cinema – participe do filme, já que entra em um universo imaginário, vivenciado pelo espectador.
Segundo Morin, a partir da década de 1930, a cultura de massa apresenta, em seus produtos, a figura do herói simpático com destino de conduzir o imaginário da audiência à realização do happy end. Assim, ele se associa à “tirania do happy end”, em que ele determina, necessariamente, a ação feliz.
Esta felicidade está, estreitamente, ligada ao tema do amor, um “arquétipo dominante na cultura de massa”. Encaixado em quaisquer contextos, diferentes do romance. “O aventureiro, o cowboy, o xerife, sempre encontram na floresta virgem, na savana, no deserto, nas grandes planícies do Oeste, o amor de uma heroína pintada e bela.” O amor, recorrente nas produções da cultura de massa, representa os “valores femininos”, para se contrapor à virilidade da ação.
Ao escrever o livro, Edgar Morin se posiciona de forma pessimista em relação à cultura de massa. E não deixa de enxergar um componente de dominação, pois, devido às mutações da sociedade, a cultura de massa se integra à vida social. O livro foi escrito na década de 1960 e os assuntos tratados ainda se encaixam na sociedade de hoje ao explicar o surgimento da cultura de massa e ao analisar suas relações com outras culturas e com a sociedade.

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