Mao Tsetung
30 de Junho de 1939
Até aqui, face ao agressor japonês, a
primeira grande questão para a nação chinesa era saber se esta devia ou não
bater-se. Entre o Incidente de 18 de Setembro e o Incidente de Lucouquiao,
desenrolou-se uma polémica muito viva a esse respeito. “Fazer a guerra é
sobreviver, não fazer a guerra é perecer”, era a conclusão de todos os partidos
e grupos patrióticos, bem como a de todos os patriotas do nosso país. “Fazer a
guerra é perecer, não fazer a guerra é sobreviver”, era a conclusão de todos os
capitulacionistas. O troar dos canhões da resistência anti-japonesa em
Lucouquiao resolveu, por algum tempo, essa polémica, proclamando a justeza da
primeira conclusão e o erro da segunda. E por que é que a resolveu apenas por
certo tempo e não definitivamente? A explicação está na política do
imperialismo japonês, que procura levar a China a capitulação, bem como nas
tentativas de compromisso por parte dos estrangeiros que defendem a capitulação(1) e ainda na instabilidade de certos
indivíduos que fazem parte da nossa frente de resistência ao Japão. Agora a
questão levanta-se de novo, mas em termos um tanto diferentes, e está
transformada numa “questão de paz ou guerra” Como resultado, iniciou-se na
China uma polémica entre os que são pela guerra e os que são pela paz. As
posições de ambos são ainda o mesmo. “Fazer a guerra é sobreviver, concluir a
paz é perecer”, é a conclusão dos partidários da Guerra de Resistência.
“Concluir a paz é sobreviver, fazer a guerra é perecer”, é a conclusão dos
partidários da paz. O campo dos partidários da guerra, que compreende todos os
partidos e grupos patrióticos e todos os patriotas do nosso país, representa a
grande maioria da nação, enquanto que o campo dos partidários da paz, quer
dizer, da capitulação, não abrange mais que uma minoria hesitante no interior
da frente anti-japonesa. Essa a razão por que o segundo campo se viu obrigado a
recorrer a propaganda mentirosa, anti-comunista em especial. São em
torrente contínua as informações, relatórios, documentos e resoluções de
caráter enganoso que eles fabricam, pretendendo, nomeadamente, que “o Partido
Comunista fomenta desordens”, “o VIII Exército e o Novo IV Exército não fazem
mais que deslocar-se sem combater e não obedecem ao comando”, “a região
fronteiriça Xensi-Cansu-Ninsia arvorou-se em feudo independente e expande-se”,
“o Partido Comunista conspira a queda do governo” e mesmo “a União Soviética
maquina uma agressão contra a China”. Com isso eles tentam mascarar a realidade
dos fatos e preparar a opinião pública para a realização do seu propósito que é
a paz, quer dizer, a capitulação. Se os partidários da paz, isto é, os capitulacionistas,
agem assim é porque o Partido Comunista é o promotor e o campeão da Frente
Única Nacional Anti-Japonesa, e sem opor-se a este é-lhes impossível sabotar a
cooperação entre oKuomintang e o Partido Comunista, romper a Frente
Única Nacional Anti-Japonesa e capitular. Aliás, eles têm uma esperança de que
o imperialismo japonês passe a concessões. Pensam que o Japão está esgotado,
vai mudar a sua política básica, evacuar de livre iniciativa o Centro, o Sul e
mesmo o Norte da China, podendo então esta vencer sem necessidade de travar
novos combates. E depositam por fim esperanças na pressão internacional. Muitos
deles esperam que as grandes potências façam pressão sobre o Japão, para
obrigá-lo a concessões e facilitar assim a conclusão da paz, e também sobre o
governo chinês, de modo a poderem dizer aos partidários da guerra: “vejam, no
atual clima internacional, não nos resta senão concluir a paz!”, “uma conferência
internacional do Pacífico(2) seria vantajosa para a China, não
constituiria outro Munique(3) mas sim um passo em direção do
renascimento da China!”. Esse o conjunto de opiniões, atitudes e manobras
secretas(4) dos partidários da paz, dos
capitulacionistas chineses. E a peça não é representada exclusivamente por Uam
Tsim-vei; é-o também, e isso é o mais grave, por muitos Tcham Tsim-vei e Li
Tsim-vei dissimulados no seio da frente anti-japonesa, que colaboram com Uam
Tsim-vei, uns interpretando o Chuanghuam(5) e outros caraterizando-se ora de
vermelho ora de branco(6).
Nós, comunistas, declaramos
publicamente que sempre estivemos, e estaremos, do lado dos partidários da
guerra e opomo-nos resolutamente aos partidários da paz. Aquilo que pretendemos
é, juntamente com todos os partidos, grupos patrióticos e a totalidade dos
patriotas do país, reforçar a unidade, consolidar a Frente Única Nacional
Anti-Japonesa, fortalecer a cooperação entre o Kuomintang e o Partido Comunista, aplicar osTrês Princípios do Povo,
levar até ao fim a Guerra de Resistência, combater até ao rio Ialu e recuperar
todo o território perdido(7), nada mais.
Condenamos resolutamente todos os Uam Tsim-vei declarados e escondidos que se
empenham na criação dum clima anti-comunista, provocam frições(8) entre o Kuomintang e o Partido Comunista e procuram,
inclusivamente, fazer estoirar uma nova guerra civil entre os dois partidos. A
tais indivíduos nós declaramos: a vossa conspiração para uma ruptura não é, no
fundo, senão uma preparação para a capitulação, e a vossa política de
capitulação e ruptura não é mais que uma manifestação do vosso plano geral de
traição dos interesses da nação, para satisfação da cupidez dum punhado de
indivíduos. O nosso povo tem olhos, saberá desmascarar as vossas conspirações.
Rejeitamos categoricamente as afirmações absurdas segundo as quais uma
conferência do Pacífico não seria um Munique do Oriente. A
chamada conferência do Pacífico é exatamente o Munique do Oriente, que
conta transformar a China noutra Checoslováquia. Condenamos firmemente o
palavreado que pretende que o imperialismo japonês cairá em si e se disporá a
concessões. Os imperialistas japoneses jamais abandonarão a sua política básica
de subjugação da China. Os doces discursos japoneses após a queda de Vuhan —
por exemplo, a afirmação de que renunciariam a sua política de “não reconhecer o Governo Nacional como interlocutor em
negociações”(9) e estariam dispostos, agora, a
reconhecê-lo como tal, bem como a afirmação de que, sob certas condições,
retirariam as suas tropas do Centro e do Sul da China — fazem exatamente parte
da sua pérfida política que visa fazer com que o peixe morda a isca, para
depois fritá-lo. Quem quiser morder a isca deve preparar-se para acabar na
frigideira. E a mesma perfídia política adotam os capitulacionistas
estrangeiros que incitam a China a capitular. Eles encorajam o Japão a
prosseguir na agressão a China e ficam a “observar o combate dos tigres, do
alto da montanha”, a espera do momento oportuno para organizarem a chamada
conferência do Pacífico, onde pensam atuar como mediadores, a cata de algum
proveito, a maneira do ladrão que rouba a ladrão. Depositar esperanças nesses
conspiradores é cair igualmente em cheio na ratoeira.
A questão de saber se se deve ou não
combater está hoje convertida numa questão de guerra ou paz, mas no fundo
continua a ser a mesma questão, a primeira e a mais importante de todas, a
questão fundamental. Dados os esforços redobrados da política japonesa de
incitamento da China a capitulação, dado o redobrar de atividade dos
capitulacionistas estrangeiros e sobretudo dadas as hesitações mais acentuadas
de certos indivíduos no interior da frente anti-japonesa, nestes últimos seis
meses fez-se um grande alarido a volta da questão da paz e da guerra e a
possibilidade de capitulação passou a ser, na conjuntura política presente, o
perigo principal. A luta contra o comunismo, que significa o rompimento da
cooperação entre o Kuomintang e o Partido Comunista e a ruptura da
unidade na resistência, constitui o primeiro passo dos capitulacionistas em
preparação da capitulação. Nessas circunstâncias, incumbe a todos os partidos e
grupos patrióticos, bem como a todos os patriotas do país, o dever de seguir
com olhos vigilantes a atividade dos capitulacionistas, compreender a
particularidade essencial da situação atual, isto é, que a capitulação
constitui o perigo principal e a luta contra o comunismo não é mais que a
respetiva preparação, e opor-se com todas as forças a capitulação e a ruptura.
É absolutamente inadmissível que um grupo de indivíduos faça oscilar e atraiçoe
a guerra contra o imperialismo japonês, essa guerra em que a Nação está
vertendo o seu próprio sangue já lá vão dois anos. É de todo inadmissível que
um grupo de indivíduos sabote e rompa a Frente Única Nacional Anti-japonesa criada
pelos esforços da totalidade da nação.
Se prosseguirmos na guerra e
mantivermos a unidade, a China sobreviverá.
Se aceitarmos a paz e tolerarmos a
ruptura, a China perecerá.
O que há pois que admitir, o que há
pois que rejeitar? Os compatriotas têm de apressar-se na escolha.
Nós, os comunistas, estamos decididos a
continuar a guerra e a manter a unidade.
Todos os partidos e grupos patrióticos,
todos os patriotas do país estão igualmente decididos a continuar a guerra e a
manter a unidade.
Mesmo que os capitulacionistas que
conspiram para a rendição e a ruptura consigam passar temporariamente para a mó
de cima, eles não conseguirão mais do que acabar desmascarados e punidos pelo
povo. A tarefa histórica que incumbe a nação chinesa é unir-se na resistência
pela libertação. Os capitulacionistas desejam seguir o caminho oposto; sejam
quais forem, porém, os seus êxitos, seja qual for o seu júbilo ao pensarem que
a ninguém precisam de recear, jamais poderão furtar-se ao castigo do povo.
Opor-se a capitulação e a ruptura, eis
a tarefa urgente que se impõe atualmente a todos os partidos e grupos
patrióticos e a todos os patriotas do país.
Que o povo inteiro se una! Que
persevere na resistência, mantenha a unidade e desfaça todas as conspirações
tendentes a capitulação e a ruptura!
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